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Balanço do Dia


18/06/2009 - 15h46min

Sessão Ordinária – Plenário Osni Régis

Sessão Ordinária – Plenário Osni Régis

A crise na segurança pública continua a ecoar no Parlamento catarinense. Hoje, na sessão ordinária da Assembleia Legislativa, deputados da oposição demonstraram preocupação com o enfrentamento registrado entre as polícias Civil e Militar, enquanto parlamentares da base governista tentaram contornar e minimizar as críticas.
Representante do setor, o deputado Sargento Amauri Soares (PDT) citou o problema ocorrido em Lages, na última terça-feira, quando um confronto entre policiais militares e civis por pouco não termina em tragédia. O incidente provocou a urgente viagem à Serra do comandante Eliésio Rodrigues e do delegado-geral de Polícia Civil, Maurício Eskudlark. Segundo Soares, as polícias estão se desqualificando mutuamente e se boicotando. “A insurgência dos coronéis e as ameaças de que episódios graves podem ocorrer se um dos lados for desprestigiado mostram a delicada situação da segurança pública”, afirmou.
Outro elemento destacado pelo parlamentar foi a necessidade de o Ministério Público se envolver no caso. “A insurgência na PM é patrocinada pela cúpula da instituição. Como a corregedoria pode apurar os fatos se está a ela subordinada? A legislação militar está sendo utilizada para punir apenas alguns. Os praças são punidos por suas manifestações, mas os oficiais podem reivindicar sem serem pressionados”, questionou.
Na mesma direção, o deputado Pedro Uczai (PT) também criticou a cúpula da PM que pune praças, mas se concede o direito de reivindicar quando se sente desprestigiada. O petista levantou a possibilidade desta produção de insegurança ser resultado numa disputa de votos para as eleições de 2010 e acusou o governo do Estado, “que não pratica uma política clara para segurança pública”, de encaminhar propostas fragmentadas para a Casa, o que provoca uma série de conseqüências.
Também preocupado com o tema, o deputado Joares Ponticelli (PP) enfatizou que “a tolerância está no limite” e acusou o governo e a secretaria de Estado da Segurança Pública de estarem “fazendo um jogo eleitoreiro, enganando as duas instituições e manipulando interesses ao colocar coronéis contra praças, delegados contra deputados e coronéis contra delegados”. O progressista também duvidou que o governo vá cumprir a data de envio dos projetos para os policiais.
Ficou a cargo do líder do governo, deputado Elizeu Matos (PMDB), contemporizar os acontecimentos. “O governo tem interesse em buscar uma solução, ao contrário da oposição, que deseja ver o a situação pegar fogo. Estamos construindo um projeto que objetiva trazer harmonia e consenso, criando um plano de carreira para a Polícia Civil e melhorias para os policiais militares. Governo e deputados da base estão trabalhando neste sentido”.
O pronunciamento do líder teve apoio nas palavras do deputado José Natal (PSDB), que afirmou que a administração estadual está comprometida com a solução de problemas há muito pendentes, que não foram criados neste governo. Natal também questionou as críticas em torno do encaminhamento do projeto: “Não vamos agir como irresponsáveis. Estamos elaborando e aprimorando uma proposta que virá a esta Casa para ser aprovada com a anuência de toda a base”.

Pedágio
O deputado Edison Andrino (PMDB) voltou a se manifestar contrariamente a cobrança de pedágio em Palhoça, trecho Sul da BR-101. “Não é possível que o governo federal cobre por um serviço que não está funcionando”, afirmou, referindo-se à cobrança que se iniciou no dia de ontem.
Segundo Andrino, “nos países desenvolvidos quem ganha o direito de explorar as rodovias tem que primeiro qualificar as estradas. Cobrar pedágio pode ser uma alternativa para manter o bom estado das rodovias, mas fazer isso antes de concluir a obra é um absurdo”, enfatizou.
O pronunciamento recebeu o apoio do deputado Manoel Mota (PMDB), que convidou os pares e a população para a manifestação de sábado, às 10 horas, na praça de pedágio. “Pedágio é para manutenção de estrada. Vão cobrar para quê se a obra não está acabada? É um absurdo!”, declarou.
O deputado Uczai, em sua ótica, observou um discurso incoerente: “Alguns parlamentares são a favor do pedágio, mas contra o de Palhoça. Isto é uma contradição. Sou contra os pedágios, sejam eles em Palhoça, em Porto Belo ou qualquer outro lugar onde se tente privatizar as estradas. No Brasil já pagamos impostos que visam a manutenção das rodovias, o que desqualifica qualquer implantação de pedágio”, argumentou o petista.
O parlamentar ainda fez questão de salientar que a revitalização de ferrovias existentes e a implantação de outras é uma alternativa para estes conflitos em torno da mobilidade no país. (Rodrigo Viegas/Divulgação Alesc)

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