
Inaugurada nesta quinta-feira (15), a mostra de trabalhos de estudantes da organização não governamental (OnG) Bairro da Juventude, de Criciúma, permanecerá aberta à visitação até o próximo dia 28, no Espaço Cultural Cruz e Sousa, acesso aos gabinetes do Anexo Deputado Epitácio Bittencourt, no primeiro piso do Palácio Barriga Verde. O horário de visitação, nos dias de semana, é das 7 às 19h.
Bairro da Juventude
O Bairro da Juventude atende diariamente 1,6 mil alunos em tempo integral, de bebês acolhidos no berçário até jovens com até 21 anos, muitos vindos de famílias em condições de vulnerabilidade social, de diversos bairros do município. “Somos uma ONG apontada como referência no Brasil, viabilizada por muitas parcerias, que atende crianças e jovens em tempo integral, com atividades em turnos de manhã, tarde e noite”, explica o coordenador Márcio Cichella de Souza.
Arte e pensamento crítico
A exposição reflete o senso crítico desenvolvido por jovens que frequentam cursos de eletroeletrônica e de programação da tradicional instituição localizada no Bairro Pinheirinho. A curadoria é do professor Macsuel de Bona, ele mesmo ex-aluno do curso técnico de eletricista, graduado em história e arquitetura e urbanismo, responsável pela disciplina complementar de criatividade e sustentabilidade.
“O projeto permite uma abordagem artística e crítica sobre problemas contemporâneos, como o descarte de resíduos eletrônicos e os impactos causados por guerras e conflitos em várias partes do planeta, com a proposta de ser um manifesto humanizado sobre as vítimas desses processos”, explica o orientador.
Reciclagem e sustentabilidade
Os trabalhos apresentados foram elaborados a partir de componentes que ganham novos significados por meio da criatividade e do olhar dos estudantes. A exposição remete ao impacto do consumo na era digital e às consequências dos conflitos contemporâneos para a desumanização e degradação ambiental.
As obras foram produzidas a partir da reutilização de componentes eletrônicos que seriam descartados. Os alunos aproveitam placas, fios, teclados e outras peças obsoletas em manifestações visuais. O projeto une arte, tecnologia e sustentabilidade, utilizando elementos do cotidiano digital para abordar temas contemporâneos e estimular o pensamento crítico.
Processo criativo
Nikison Silvério Luiz, 17 anos, e Emanuely Cristiny Francioni, 16 anos, participaram da elaboração de três peças. “O Alvo” reflete a conflitos no continente africano, “Jogo de Tabuleiro”, ao jogo de interesses econômicos, e “Obrigado por Morrer” representa as condecorações recebidas por famílias de mortos em guerras.
“No início, fiquei meio sem empolgação, mas depois abriu, virou a chave”, diz Nikison, sobre o efeito do processo criativo. “Eu não me interessava muito, de repente comecei a ver a criação de outro modo”, concorda Emanuely.
O processo criativo foi desenvolvido coletivamente desde a seleção e separação dos materiais até o planejamento, a experimentação e a montagem das peças.
Além de ampliar a consciência sobre o descarte correto e o reaproveitamento de resíduos, a atividade favoreceu o desenvolvimento da criatividade, da sensibilidade artística e de habilidades técnicas e colaborativas.
Até “tocos” de lápis coloridos entraram na confecção de “Arsenal do Conhecimento”, representação de uma metralhadora que Miguel Cardoso da Silva produziu com os colegas John Henrique André e Vítor Lopes Adão. “É uma obra autoexplicativa”, diz Miguel, que aos 22 anos está completando o curso de programação.
Exposição itinerante
Para o curador Macsuel, “a exposição evidencia o protagonismo dos estudantes e a capacidade de transformar o conhecimento tecnológico em uma ferramenta de expressão, com obras repletas de significados e interpretações que, com criatividade, instigam o público a uma reflexão crítica sobre o mundo contemporâneo”.
A mostra foi apresentada na sede do próprio Bairro da Juventude para o público interno da instituição. A exposição possibilitou a estudantes e educadores refletirem sobre as questões sociais e ambientais abordadas.
Depois foi exposta no principal centro comercial de Criciúma, agora na Alesc, e já tem outra agenda prevista para a Associação Comercial e Industrial de Criciúma (Acic).
Visite a exposição
ALESC EXPLICA
É uma mostra de trabalhos de estudantes do Bairro da Juventude, de Criciúma, que utiliza componentes eletrônicos reaproveitados para abordar problemas contemporâneos, incluindo conflitos mundiais e impactos ambientais.
Placas, fios, teclados, outras peças eletrônicas obsoletas e até pedaços de lápis coloridos.
Estudantes da instituição Bairro da Juventude, com participação de jovens ligados aos cursos de eletroeletrônica e programação.
Estimular a reflexão sobre descarte de resíduos eletrônicos, consumo na era digital e consequências sociais e ambientais dos conflitos contemporâneos.
No Espaço Cultural Cruz e Sousa, no primeiro piso do Palácio Barriga Verde, com acesso aos gabinetes do Anexo Deputado Epitácio Bittencourt, até 28 de outubro. A visitação ocorre nos dias de semana, das 7h às 19h.
Sim. Conforme a reportagem, a mostra já passou pela sede do Bairro da Juventude e por um centro comercial de Criciúma, e tem apresentação prevista na Associação Comercial e Industrial de Criciúma (Acic).
A exposição Da Sucata à Crítica segue aberta até o dia 28.
Foto: Jeferson Baldo / Agência Alesc.
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