
A Comissão de Saúde da Assembleia, presidida pelo deputado Volnei Morastoni (PT), realizou audiência pública proposta pelo deputado Sargento Soares (PDT) para discutir a situação do Hospital Florianópolis (HF), localizado no Estreito, na zona continental da capital catarinense.
Após intenso debate, parlamentares, servidores do HF, líderes comunitários do Estreito, da Coloninha e sindicalistas, resolveram fazer uma visita surpresa nesta quinta-feira (9), às 9h30min, para verificar in loco a real situação do hospital.
Também decidiram agendar uma audiência com o secretário da Saúde e o governador Raimundo Colombo, para solicitar agilidade nas obras de reforma, além de lutar pela manutenção do HF na rede pública, com atendimento exclusivo pelo SUS; exigir a instauração de uma sindicância para apurar a depredação da emergência, cujas obras estavam concluídas; criar uma frente parlamentar em defesa dos hospitais públicos, bem como uma comissão de acompanhamento da execução da reforma do HF.
Atualmente, o hospital não possui UTI e estão ativos apenas seis leitos. O HF atende somente emergências em pediatria e clínica médica e geral. Mas, apesar da grave deficiência física, causada por uma reforma que se arrasta há mais de dois anos, o HF realiza cerca de 6 mil atendimentos por mês, sendo que 57% dos pacientes são oriundos da capital e 43% da região metropolitana.
Segundo a direção do HF, que não compareceu nem mandou representante à audiência pública, limitando-se a enviar um arrazoado à Comissão de Saúde, “a situação do hospital beira a insustentabilidade pela absoluta falta de pessoal”. De fato, grande parte dos servidores foi cedida para outras unidades de saúde da região. A situação beira o caos e, conforme denunciou Sargento Soares, “até os servidores do almoxarifado foram deslocados para atender na emergência”.
Para o vereador de Florianópolis, Ricardo Vieira, que é médico e atende no HF, “faltam condições de trabalho”. Vieira denunciou que a emergência funciona “meia-boca” e que se não fosse a abnegação dos servidores que lá ficaram, a redução no atendimento seria ainda mais radical.
Para o presidente do Sindsaúde, Pedro Paulo das Chagas, “hoje não tem hospital”. Segundo o sindicalista, tudo foi adredemente preparado para privatizar o HF, de modo a entregar o patrimônio público para uma organização social de saúde (OSS). De acordo com Pedro Paulo, a comunidade não é contra as OSS, apenas não se pode permitir que espaços públicos sejam doados para uso privado, excluindo do atendimento aqueles cidadãos que não têm condições de contratar um plano de saúde.
O representante da Associação de Moradores da Coloninha, Francisco Carlos Posich, afirmou que a comunidade está órfã dos serviços do SUS. Para a representante do Centro de Integração Social Beneficente Cultural Gente da Gente, Cláudia Lopes da Costa, “a situação do HF é vergonhosa. É um hospital referência e ao mesmo tempo não é nada”. O dirigente da Associação de Moradores do Estreito (AME), Sérgio Luiz Piazza, afirmou que “se a comunidade não abrir os olhos a Secretaria de Estado da Saúde fecha o hospital. É preciso que fiquemos mobilizados até o governo tomar uma decisão a nosso favor”.
A deputada Angela Albino (PCdoB), que também havia solicitado à Comissão de Saúde a realização de uma audiência pública com o mesmo fim, declarou sua perplexidade pelo desleixo da Secretaria de Saúde, que sequer enviou um representante. Ela lembrou o mote de campanha do governador Raimundo Colombo, “a saúde em primeiro, segundo, terceiro lugar” e garantiu que “se comunista vai para o inferno, marqueteiro também vai”. Para Aurélio Pereira, diretor da AME, a atitude do governo é desrespeitosa, uma vez que não “foi capaz de mandar um representante para responder as perguntas da comunidade”.
Tânia Ramos, da Associação de Moradores da Coloninha, denunciou que houve depredação da emergência. “Quebraram todos os registros e a água tomou conta. A emergência estava pronta e agora vai voltar para a reforma”. Tânia pediu a instauração de uma sindicância para apurar os fatos. Para Anézio Botelho, da Associação Amigos do Hospital Florianópolis, “é preciso propor uma ação judicial pedindo multa diária ao secretário da Saúde pelo atraso na conclusão da reforma”.
Gilmar Salgado, da Central Sindical, afirmou que a responsabilidade pelo desmantelamento do HF é do ex-governador Luiz Henrique da Silveira. Edileuza Garcia, do Sindsaúde, lembrou que tudo começou com a privatização da lavanderia e do laboratório. Segundo ela, a comunidade tem de abraçar o HF e a primeira providência para manter o hospital exclusivamente público é garantir o retorno dos funcionários que foram cedidos para outras unidades de saúde da Grande Florianópolis.
Também participaram da audiência os vereadores da capital Romeu Franzoni Júnior, Célio Bento e Marcos “Badeko” Espíndola, moradores do Estreito, da Coloninha e do Jardim Atlântico, e representantes do Sinergia e do Sindiprev. (Vitor Santos)
Deputado Sargento Amauri Soares (PDT) - Audiência Pública: "Os problemas enfrentados pelo Hospital Florianópolis"
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