
A Assembleia Legislativa atuará como parceira no 2º Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), que será realizado nos dias 12 e 13 de março, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O evento tem como coordenador geral o deputado Volnei Morastoni (PT) e como coordenador científico o professor doutor Luiz Alberto Peregrino Ferreira.
Os objetivos estipulados pela organização do evento são o comprometimento das instituições públicas e privadas na busca de soluções inovadoras para as políticas de prevenção, a informação sobre as novas terapias disponíveis e o estímulo à perspectiva inquisitiva dos cientistas.
É a segunda vez que o Parlamento catarinense atua como parceiro do evento. Em sua primeira edição, realizada em 1992, com o apoio do Ministério da Saúde, governo do Estado e UFSC, o evento reuniu grandes nomes da pesquisa médica e laboratorial e a iniciativa obteve repercussão internacional, sendo considerada um marco na história da luta contra a Aids no Brasil.
O destaque, à época, foi a conferência do professor doutor Luc Montagnier, coordenador da equipe do Instituto Pasteur que identificou o vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, em 1983. Após 20 anos da primeira edição, o professor Montagnier retorna a Santa Catarina e encerra o 2º Simpósio como convidado do projeto “Grandes Conferências”.
Laureado com o Prêmio Nobel de Medicina em 2008 pela descoberta do vírus da Aids, o virologista francês deve abordar em sua exposição os dilemas científicos do presente e o desenvolvimento de novas terapias. No dia 12, às 19 horas, ele participa de uma sessão solene na Assembleia, que marcará a abertura oficial do evento. Para essa sessão, é aguardada a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que foi pessoalmente convidado por Morastoni para a ocasião.
O 2º Simpósio Nacional sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é uma promoção da Universidade Federal de Santa Catarina, com o apoio institucional da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), e a supervisão científica do Ministério da Saúde, por meio do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais, Assembleia Legislativa, governo do Estado e Secretaria de Estado da Saúde. A programação do encontro pode ser consultada no site www.eventoaids.ufsc.br
O tema foi discutido no programa Parlamento Debate, transmitido pela TVAL, no último sábado (3), às 20h30min, e contou com a participação dos deputados Dado Cherem (PSDB), Jorge Teixeira (PSD), membros da Comissão de Saúde, Luiz Alberto Peregrino Ferreira, coordenador científico do simpósio, e Helena Lima Pires, coordenadora do GAPA/SC.
Os debatedores abordaram o cenário atual da doença no Estado fornecendo dados, informações e perspectivas para a contenção da epidemia.
O programa Parlamento Debate será reprisado pela TVAL – http://www.alesc.sc.gov.br/portal/tval/ nos dias 5 – 20h30min, 6 – 11h20min e
21 horas, 7 – 8h15min e 21h15min, 8- 13 e 23 horas, 9- 8 e 13 horas, e 10 –
12h15min.
A Aids em Santa Catarina
A AIDS acarretou desafios para a área cientifica, trouxe novos atores para os movimentos sociais e, sobretudo, conferiu maior visibilidade às questões relacionadas à sexualidade.
Há 27 anos, a política de enfrentamento da epidemia vem se consolidando por meio de parcerias com a participação da sociedade civil e a definição como prioridade entre as três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde. Todavia, existe a necessidade freqüente de se adequar novas respostas às constantes alterações da dinâmica da epidemia, pois apesar dos avanços, muito ainda precisa ser feito para o controle definitivo desse mal.
Santa Catarina está em 3º lugar no ranking de casos de Aids no Brasil e desde 1984 já foram notificados 25.950 casos de AIDS em adultos; 929 casos de AIDS em crianças e 4.756 casos de gestantes HIV positivos. Além disso, desde 1994 já foram notificados 139.271 casos de algum tipo de doença sexualmente transmissível (DST), como sempre a porta de entrada para o HIV e suas conseqüências.
A faixa etária mais atingida é a de 20 a 49 anos, sendo que os indivíduos de 40 a 49 anos são os que mais contribuem para o elevado número de casos. De acordo com os dados levantados pela Secretaria de Saúde, observa-se aumento progressivo no decorrer dos anos, com queda somente nos anos de 2004 e 2005, para voltar a subir do ano de 2006 em diante, mantendo-se estável, sempre acima de 400 casos/mês (média de 443 casos de 2006 a 2010).
A mortalidade representa um importante indicador de programas de controle da síndrome, sobretudo após a introdução da terapia antirretroviral no Brasil em 1996. Santa Catarina apresenta taxas de mortalidade superiores às do Brasil, sendo, provavelmente, devido a diagnóstico tardio, dificuldades na adesão ao tratamento, esquemas de tratamento antirretroviral e profilaxia das infecções oportunistas inadequados e dificuldade de acesso para acompanhamento médico especializado.
A epidemia vem apresentando mudanças no perfil epidemiológico. A tendência é caracterizada pelo maior número de casos em heterossexuais, mulheres, população pobre e em cidades do interior. (Michelle Dias)
Total de casos em Santa Catarina
Total de casos notificados (1984 a 2011) = 25.950 casos
AIDS adulto (13 anos ou mais) = 25.021 casos
Feminino = 9.245 / Masculino = 15.776 casos
AIDS criança (menor de 13 anos) = 929 casos
Gestante HIV + = 4.756 casos
Principais categorias de exposição:
Heterossexual = 62,0%
Usuário de Droga Injetável (UDI) = 20,9%
Homossexual = 9,1%
Faixa etária = 30 a 39 anos (37% do total de
casos notificados)
Razão homem/mulher (1984 a 2011) = 1,7
Incidência AIDS adulto (2010) = 30,6/100.000 hab.
Municípios com notificação = 252 (86%)
Fonte: GE-DST/AIDS/SINAN/DIVE/SES/SC
http://www.dive.sc.gov.br
Dicas importantes para a prevenção de doenças
sexualmente transmissíveis
– Caso você tenha algum sinal ou sintoma de doença sexualmente
transmissível, ou deseja fazer o teste do HIV, procure os serviços da rede básica de saúde;
– 70% a 80% dos portadores de hepatite B não apresentam sinais e/ou sintomas, o uso do preservativo em cada relação sexual é imprescindível;
– A relação sexual desprotegida é responsável por 50% dos casos de infecção pelo vírus B;
– Evite abusar de drogas e bebidas alcoólicas, sob o efeito dessas
substâncias há o esquecimento do uso de preservativos;
– Se fizer uso de drogas injetáveis, não compartilhe agulhas e seringas;
– Toda gestante deve exigir o teste do HIV, sífilis e hepatite B;
– Use camisinha em todas as relações sexuais. Prefira as camisinhas lubrificadas, que estejam dentro do prazo de validade e apresentem a marca do Inmetro;
– Utilize apenas um preservativo em cada relação sexual, desprezando-o após o uso. As camisinhas são descartáveis.
Diretrizes e desafios para Santa Catarina
– Promover a equidade: redução das diferenças regionais;
– Reduzir a transmissão vertical do HIV a menos que 1%;
– Redução das taxas de transmissão vertical (TV) – atividade inserida na Redução da Mortalidade Infantil – prioridade básica do Pacto pela Vida, que é um dos eixos do Pacto pela Saúde (Gestão Compartilhada);
– Eliminar a sífilis congênita em todo o território catarinense (menos de um caso/mil nascidos vivos);
– Garantir que 100% das gestantes tenham acesso à testagem, e quando for o caso, ao tratamento do HIV, hepatites e sífilis;
– Garantir que todas as gestantes não vacinadas recebam a vacina contra hepatite B;
– Reduzir a taxa de incidência e a taxa de mortalidade de AIDS;
– Ampliar a oferta de preservativos (masculino; feminino e kit RD);
– Ampliar diagnóstico precoce do HIV/Hepatites e outras DST;
– Ampliar diagnóstico e tratamento das DSTs na rede de atenção básica. Interromper a cadeia de transmissão e prevenir novas ocorrências;
– Todo portador de DST atendido na rede básica de saúde com acesso ao aconselhamento, oferecer os exames de VDRL, anti-HIV, hepatite B e C;
– Melhorar a qualidade da gestão em saúde fortalecendo a criação de mecanismos institucionais de planejamento e acompanhamento;
– Promover estratégias de adesão ao tratamento visando proporcionar a melhoria na qualidade de vida de quem vive com HIV/AIDS. Adesão ao tratamento se destaca entre os maiores desafios da atenção às pessoas vivendo com HIV/AIDS;
– Promoção de mecanismos para melhoria da qualidade do atendimento às pessoas vivendo com HIV/AIDS e hepatites virais;
– Garantir que os pacientes portadores do vírus de hepatite recebam o tratamento quando necessário na rede do SUS;
– Fortalecer as redes sociais, buscando em parceria a sustentabilidade das ONG’s;
– Combate à homofobia e promoção do respeito à diversidade;
– Fortalecimento, implementação e ampliação das estratégias de Redução de Danos da rede básica de saúde.

