Comunicação

Aprovado projeto que beneficia Apaes na contratação de professores


02/03/2016 - 21h12min

Na Apae de São José, falta de professores temporários prejudica 80 dos 240 alunos atendidos pela unidade

Na Apae de São José, falta de professores temporários prejudica 80 dos 240 alunos atendidos pela unidade

FOTO: Miriam Zomer/Agência AL

Com uma abstenção, os deputados aprovaram na sessão ordinária desta quarta-feira (2) o projeto de lei que pretende resolver o problema da falta de professores nas Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) em Santa Catarina. Trata-se do PL 18/2016, do deputado José Nei Ascari (PSD), que altera a Lei 16.861 de 2015, que trata da contratação de professores temporários na rede estadual de ensino.

O PL, que segue para sanção do Executivo, permite ampliar as opções de carga horária da jornada de trabalho do professor de educação especial nas Associações dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes). Com isso, pretende-se resolver o desfalque de 250 professores nas áreas de educação física, artes e informática que está prejudicando o funcionamento de 92 Apaes de pequeno porte no estado.

A proposta tramitou de forma rápida. Na manhã desta quarta, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em reunião extraordinária, e pela Comissão de Finanças e Tributação. No começo da tarde, a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público se reuniu extraordinariamente para aprovar a proposta, deixando-a apta para ser votada em plenário já pela tarde.

“Apresentamos esse projeto como resposta a uma demanda do movimento apeano no estado. O projeto tramitou com agilidade e a Assembleia cumpre o seu papel de oferecer uma solução a esse problema da falta de professores, que tem prejudicado milhares de pessoas e seus familiares que são atendidas pelas Apaes”, afirmou o autor do projeto.

Nas três comissões, os deputados do PT tentaram apresentar emenda ao projeto que estabelecia jornadas de 10, 20, 30 ou 40 horas semanais para os professores contratados. A emenda foi rejeitada nas três comissões e o PT abriu mão de apresentá-la em plenário para não prejudicar o trâmite da proposta.

A deputada Luciane Carminatti (PT), que se absteve da votação, reconheceu que o projeto é importante para resolver o problema da falta de professores nas Apaes. “Mas isso poderia ter sido evitado. O governo encaminhou no fim do ano passado a lei dos professores temporários que esta Casa aprovou e na época nós já dizíamos que essa lei iria produzir algumas aberrações, como essa que o projeto tenta consertar”, criticou a parlamentar, que também questionou a constitucionalidade do projeto, por acreditar que ele deveria ser de origem do Executivo e não do Legislativo.

Dirceu Dresch (PT) também fez críticas ao governo, mas votou favorável à proposta de José Nei. Ana Paula Lima (PT), Fernando Coruja (PMDB) e Darci de Matos (PSD) também se manifestaram sobre o projeto. “Mesmo que seja inconstitucional, tudo que for em benefício da Apae terá meu voto favorável”, disse Darci.

Transtornos
Conforme o presidente da Federação das Apaes de Santa Catarina, Júlio César de Aguiar, a falta de professores afetou praticamente todas as associações do estado. “92 ficaram sem nenhum professor de educação física, artes e informática, e as demais ficaram com restrição de horário. Isso é um prejuízo para os alunos, já que essas aulas são lúdicas e desempenham um papel importante”, comentou.

Na Apae de São José, na Grande Florianópolis, que conta com pouco mais de 240 alunos, o coordenador técnico Fabiano Jussaro de Jesus destaca que 80 deles serão prejudicados diretamente. "A legislação atingiu a contratação de ACTs e consequentemente gerou a perda do número de atividades destinada aos alunos. Com uma redução significativa na carga horária dos profissionais estamos fazendo um remanejamento das aulas buscando suprir as necessidades, porém não é possível atender a todas as turmas com as disciplinas complementares", revelou.       

Segundo Fabiano, a educação especial se constitui pela globalização das atividades, fator responsável pelo desenvolvimento da pessoa com deficiência. O coordenador salienta que redução de 25% das horas gera uma quebra nas atividades. "Consideradas continuas, onde uma área dá sequência à outra, as atividades, uma vez interrompidas, podem vir a prejudicar o desenvolvimento social dos alunos, tanto na sua aptidão física, com na saúde ou em outras questões que envolvem a globalização deles", revelou.          

(Marcelo Espinoza e Tatiani Magalhães)

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