
A necessidade de um curso de ensino superior público em Terapia Ocupacional (TO) foi referendada durante audiência pública promovida pela Comissão de Educação e Cultura da Alesc, na noite desta sexta-feira (15). No encontro, o reitor da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), José Fragalli, afirmou que os trâmites para a implantação do curso já estão em andamento e devem ser concluídas em até dois anos.
A audiência foi presidida pelo deputado Rodrigo Fachini (Podemos). Krelling encaminhou um vídeo no qual agradeceu aos participantes pela presença e destacou a necessidade da discussão sobre a abertura de um curso no ensino superior público.
“As pessoas precisam entender a importância dessa profissão, principalmente num momento em que a gente vê o número de pessoas neurodivergentes aumentando”, disse. “A criação do curso na universidade pública democratiza o acesso a essa profissão.”
Manifestações
O presidente do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional de Santa Catarina (Crefito-10), André Cruz, afirmou que há pouco mais de 900 terapeutas inscritos no conselho, boa parte deles vindos de outros estados. O número, segundo ele, é insuficiente para atender a demanda crescente do estado.
Por isso, a entidade iniciou um movimento pela implantação de cursos de TO em Santa Catarina. Conforme Cruz, até três anos atrás, havia uma única graduação, em Joinville. Atualmente, são 10 cursos, em várias regiões, porém nenhum deles é público.
“É difícil ouvir o pedido de socorro de um pai que nos procura para saber onde existem terapeutas porque ele não encontra esse profissional próximo, porque ele necessita e está preocupado com o desenvolvimento do seu filho”, afirmou o presidente do Crefito. “A abertura do curso na Udesc é uma necessidade social e estratégica. A Udesc tem a qualidade e competência necessárias para isso.”
Profissionais de TO que se manifestaram durante a audiência afirmaram que a falta de um curso público limita a pesquisa e a extensão nessa área. Já representantes da Federação das Apaes e da Associação dos Amigos dos Autistas (AMA) relataram as dificuldades para encontrar terapeutas no mercado de trabalho e o quanto isso prejudica o desenvolvimento das pessoas com deficiência.
A coordenadora da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), Luciana Ayres de Souza, afirmou que a instituição recebe com entusiasmo a notícia da criação de um curso de TO na Udesc.
“A formação pública de terapeutas representa um avanço significativo para a inclusão, a acessibilidade e para a garantia dos direitos das pessoas com deficiência”, disse. “Essa abertura dialoga com as necessidades da sociedade, pois os municípios têm demandado cada vez mais profissionais.”
Trâmite
A diretora-geral do Cefid-Udesc, Suzana Matheus Pereira, disse que a proposta de projeto pedagógico do curso (PPC) já está pronto e garantiu que o Cefid, que mantém os cursos de Fisioterapia e Educação Física, tem condições de manter a graduação em Terapia Ocupacional.
Já o reitor da Udesc informou que o PPC passará pela análise de órgãos internos, entre eles a Pró-Reitoria de Ensino, da instituição para aprovação. “São trâmites necessários, que precisam ser obedecidos”, disse. “O curso não é para já. Acreditamos que esse processo leva de um ano e meio a dois para ser concluído.”
O deputado Rodrigo Fachini classificou a audiência desta noite como histórica. “Saímos com excelentes notícias. É um passo importante para que possamos formar profissionais não só para Santa Catarina, mas para todo o Brasil”, concluiu o parlamentar.
Encontro foi promovido pela Comissão de Educação e Cultura da Alesc, na noite desta sexta-feira (15)
FOTO: Jeferson Baldo/Agência Alesc
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