Comunicação

PESCA COLABORATIVA ENTRE HOMENS E BOTOS E CARTEIRAS DE PESCADORES SÃO DEBATIDOS EM COMISSÃO


Projeto aprovado reconhece prática tradicional entre pescadores e botos, enquanto setor debate dificuldades relacionadas às carteiras de pesca em Santa Catarina.

Valquíria Guimarães
26/05/2026 - 12h17min

PESCA COLABORATIVA ENTRE HOMENS E BOTOS E CARTEIRAS DE PESCADORES SÃO DEBATIDOS EM COMISSÃO

Foto: Ana Quinto/Agência Alesc

Ver resumo

Projeto reconhece pesca colaborativa como patrimônio cultural

A valorização da pesca artesanal e os desafios enfrentados pelos pescadores catarinenses dominaram os debates da Comissão de Pesca e Aquicultura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, durante a programação da Alesc Itinerante, realizada na manhã desta terça-feira (26), em Araranguá, no Extremo Sul do Estado.

Entre os destaques da reunião esteve a aprovação do Projeto de Lei 0154/2026, de autoria do deputado Sérgio Guimarães (UB), que reconhece oficialmente a pesca colaborativa entre homens e botos como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina.

Considerada uma prática rara no mundo, a pesca cooperativa entre pescadores artesanais e botos ocorre especialmente nos municípios de Laguna e Passo de Torres, no Sul do Estado, consolidando Santa Catarina como principal referência internacional desta tradição secular.

O projeto recebeu parecer favorável do relator, deputado José Milton Scheffer (PP), com apresentação de emenda substitutiva global ao texto original.

A matéria foi aprovada por unanimidade pelos integrantes do colegiado.

Relator destaca importância cultural e ambiental

Ao defender a proposta, o relator destacou a relevância cultural e ambiental da atividade.


“Nesta interação, os botos-da-tainha cercam os cardumes e emitem sinais claros, como saltos e batidas de cabeça, para que os pescadores lancem suas tarrafas. Trata-se de uma tecnologia tradicional de pesca que une conservação ambiental e identidade cultural”
José Milton Scheffer
Deputado
José Milton Scheffer

Autor do projeto, Sérgio Guimarães ressaltou que o reconhecimento estadual fortalece a proteção da atividade e das comunidades pesqueiras.


“O reconhecimento por lei estadual reforça o status já conferido pelo Iphan em nível nacional, garantindo que Santa Catarina tenha instrumentos jurídicos próprios para proteger seus pescadores e a biodiversidade marinha, promovendo o turismo sustentável e a dignidade das comunidades litorâneas”
Sérgio Guimarães
Deputado
Sérgio Guimarães

A matéria segue agora para a análise da Comissão de Educação e Cultura.

Debate amplia discussão sobre carteiras de pescadores

Além da aprovação do projeto, a reunião foi marcada por um amplo debate sobre a situação das carteiras dos pescadores artesanais e as dificuldades relacionadas ao Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP).

O presidente da Colônia de Pesca Z-18, Adriano Delfino Joaquim, relatou preocupação com o cancelamento de carteiras de pescadores, situação que tem impedido trabalhadores do setor de acessar o seguro-defeso.

“Temos pescadores com suas carteiras canceladas e sem acesso ao seguro-defeso. Muitos encontram dificuldades para corrigir erros no sistema e regularizar a situação”, afirmou.

Segundo ele, o problema se arrasta e afeta diretamente a subsistência de famílias que dependem da pesca artesanal.

Comissão e órgãos federais discutem regularização

O presidente da Comissão de Pesca e Aquicultura, deputado José Milton Scheffer, classificou o tema como uma das maiores preocupações do setor e colocou a comissão à disposição para buscar soluções junto aos órgãos competentes.

“Existe uma grande preocupação com a legalização das carteiras. A comissão está à disposição para tornar esse processo mais célere, diante da importância da pesca para Santa Catarina”, afirmou.

Também participaram do debate representantes do Ministério da Pesca e Aquicultura e de órgãos federais.

O superintendente da Pesca em Santa Catarina, Jean Ricardo, destacou avanços promovidos pelo governo Federal, entre eles o fortalecimento institucional do setor e o aumento de 20% na cota da pesca da tainha para a safra de 202

Ele informou ainda que Santa Catarina possui atualmente mais de 31 mil pescadores ativos no RGP e cerca de 371 registros em análise.

Já o chefe de fiscalização do RGP do Ministério da Pesca, João Barcellos, explicou que parte das dificuldades enfrentadas pelos pescadores decorre de problemas sistêmicos e de medidas de combate a fraudes relacionadas ao seguro-defeso.


ALESC EXPLICA

O que é a pesca colaborativa entre homens e botos?

É uma prática em que botos ajudam pescadores artesanais a identificar o momento ideal para o lançamento das tarrafas.

Onde a prática ocorre em Santa Catarina?

Principalmente nos municípios de Laguna e Passo de Torres.

O que é o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP)?

É o registro utilizado para identificação e regularização dos profissionais da atividade pesqueira.

O que é o seguro-defeso?

É um benefício pago ao pescador artesanal durante períodos em que a pesca fica temporariamente proibida para preservação das espécies.

Qual o próximo passo do projeto aprovado?

O texto segue para análise da Comissão de Educação e Cultura.


Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias