
Os 53 anos de fundação do Movimento Tradicionalista Gaúcho de Santa Catarina (MTG-SC) foram celebrados na noite desta segunda-feira (18), em uma sessão especial promovida pela Assembleia Legislativa. Durante a solenidade, também foram homenageadas 34 personalidades do MTG-SC pelas suas contribuições para a preservação e valorização das tradições gaúchas. Entre elas, ex-presidentes, coordenadores, juízes oficiais, tradicionalistas, instrutores, patrões, prendas, peões e laçadores.
O Movimento Tradicionalista Gaúcho iniciou no estado no dia 18 de maio de 1973, no município de Lages, com a fundação do Movimento Tradicionalista Catarinense (MTC). Anos mais tarde, em 1985, foi fundado o MTG-SC, em São Joaquim. No dia 5 de julho de 1986, as duas entidades uniram-se em uma única instituição, dando origem ao atual Movimento Tradicionalista Gaúcho do Estado de Santa Catarina, que passou a representar e coordenar o tradicionalismo catarinense. Atualmente, o movimento está representado por meio de 17 regiões tradicionalistas, 504 centros e 1.417 piquetes, contando com mais de 50 mil associados.
Transmissão de valores
Na condição de proponente da sessão, a deputada licenciada Paulinha (Podemos) definiu o tradicionalismo gaúcho como um instrumento essencial para transmitir às novas gerações valores como o fortalecimento dos vínculos familiares, o amor à terra e o cuidado com os animais.
Nesse sentido, ela destacou o trabalho realizado pelo MTG ao longo de cinco décadas. “Eu quero deixar o meu abraço, a minha devoção, a este trabalho que vocês construíram ao longo desses anos e que permitiu que milhares de crianças encontrassem uma coisa muito importante – talvez mais do que todas – o sentido das suas vidas.”
A parlamentar também defendeu uma maior valorização e o fortalecimento do movimento no estado. “Santa Catarina precisa colocar mais luz e mais potência em um movimento que, sim, ampara e protege os seus filhos e filhas, as suas famílias, como em poucos momentos, em poucos lugares, em poucos ambientes, a gente ainda tem a chance de encontrar.”
Já o deputado Rodrigo Fachini (Podemos), que presidiu a sessão, declarou ter acompanhado, no município de Joinville, diversas ações sociais promovidas pelo MTG, entre elas campanhas de arrecadação de recursos e alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade.
“O movimento tradicionalista é muito mais do que gestos, muito mais do que símbolos, significa família, significa valores, significa solidariedade”, frisou.
O papel do tradicionalismo
Na condição de presidente do MTG-SC, Davi Francisco Prazeres Júnior reforçou a atuação do tradicionalismo gaúcho no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
“Os CTGs e entidades tradicionalistas não são apenas espaços de cultura e convivência, são ambientes de formação humana. Nos galpões, nas invernadas, nos rodeios e nas atividades campeiras, nossos jovens aprendem disciplina, respeito, espírito coletivo, deixando de lado interesses pessoais e assumindo um compromisso com a comunidade. Aprendem que tradição não é apenas preservar costumes, mas formar cidadãos de caráter, conscientes de seus deveres e orgulhosos da sua identidade.”
Trabalho coletivo
Ele também prestou reconhecimento a todas as pessoas que colaboraram para o desenvolvimento da entidade ao longo de cinco décadas.
“Ao longo desses 53 anos, o MTG construiu uma trajetória marcada pelo trabalho coletivo, pela dedicação de lideranças e pela participação ativa das entidades filiadas, que diariamente mantêm viva a chama do tradicionalismo em Santa Catarina. Celebrar essa data é reconhecer todos aqueles que ajudaram a construir essa história, homens e mulheres que, com esforço, paixão e responsabilidade, fizeram do movimento uma das maiores forças culturais do nosso estado.”
Por fim, ele manifestou o compromisso de seguir trabalhando em favor da união das entidades tradicionalistas, pelo fortalecimento das regiões e pela valorização do movimento no estado.
Legado às novas gerações
Já a vice-presidente do MTG-SC, Hernalda Mussio, falou em nome dos homenageados da noite.
“Nesta noite especial, são homenageados 34 nomes que ajudaram e continuam ajudando a escrever essa grandiosa trajetória. Homens, mulheres e crianças que dedicaram e ainda dedicam o seu tempo, seu talento, seu trabalho e o próprio coração para que o tradicionalismo catarinense permaneça vivo, forte, respeitado e pulsando através de gerações.”
Ela destacou, sobretudo, Afonso Alberto Ribeiro Neto, a quem apontou como precursor da organização estadual do tradicionalismo gaúcho.
“Ele pertence àqueles homens raros que enxergam antes dos outros aquilo que precisa ser construído. Quando muitos ainda sonhavam, ele já trabalhava. Quando havia dificuldades, ele oferecia liderança. Quando o caminho parecia incerto, ele ajudava a abrir a estrada. Seu legado permanece vivo em cada entidade tradicionalista, em cada rodeio, em cada apresentação artística e cultural, em cada geração que aprende a respeitar nossas tradições, nossa música, nossa pilcha, nossa história e nossos valores.”
Homenageados
Movimento Tradicionalista Gaúcho do Estado de Santa Catarina
Alceu Luiz Ricetti
Antonio José de Lara
Ari Correa dos Santos
Celivio Holz
Dinarte Marcelino Velho
Enzo Osmar Schmidt da Cruz — laçador
Francisco Germano Contezini
Gastão Magalhães Maciel
Helio Emmendoerfer
Israel Cunha
João Joarez Ribeiro Esmério
Johnni Roberto Dynarowski
José Orival de Melo
Luiz Carlos Tomazoni
Luiz Protasio dos Santos
Maria Gorete Conceição Barbosa Marques
Marilene Maggioni Lajus
Nelson Nasario
Odival Stelzner
Orides Luiz Pompeo
Renato de Oliveira Guesser
Sálvio Rodrigues Proença
Sebastião Delício Machado
Sebastião Oliveira Borges
Suzana Terezinha Sonaglio Xavier
Valcírio Fernando Harger
Eduardo Alfredo Schütz (in memoriam)
Erotides Muniz dos Santos (in memoriam)
Helio Natalin Mussio (in memoriam)
Itamar Sebastião Mattos (in memoriam)
Ivelsino da Silva Neto (in memoriam)
José Alves Rodrigues (in memoriam)
Osvaldo Alípio Cardoso (in memoriam)
Sebastião Nunes de Oliveira (in memoriam)

