
Familiares, amigos, companheiros de partido, autoridades e lideranças políticas estaduais e nacionais se reuniram na manhã desta segunda-feira (24), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis, para se despedir de Manoel Dias, ex-ministro do Trabalho e um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que morreu aos 88 anos, na noite de sábado ( 22) na Capital.
In memoriam
Conhecido como Maneca, Manoel Dias foi uma das figuras históricas do trabalhismo em Santa Catarina e no Brasil.
Ao longo de mais de seis décadas de vida pública, construiu uma trajetória marcada pela defesa da democracia, pela resistência à ditadura militar e pela proximidade política com Leonel Brizola, de quem foi um dos principais aliados.
O velório, realizado na sede do Legislativo catarinense, foi marcado por emoção e homenagens de familiares, amigos, correligionários e representantes de diferentes correntes políticas.
Um momento emblemático da cerimônia, foi que a trajetória política de mais de 60 anos de Manoel Dias foi destacada por imagens e fotos transmitidas no telão.
Uma trajetória marcada pela resistência democrática
Natural de Içara, no Sul de Santa Catarina, Manoel Dias iniciou sua carreira política em 1962, quando foi eleito vereador pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Pouco depois, sua trajetória foi diretamente atingida pelo regime militar instaurado em 1964.
Teve o mandato de vereador cassado e chegou a permanecer 11 meses preso como preso político.
Trajetória política
Em 1966, foi eleito deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar que ajudou a construir em Santa Catarina. Exerceu mandato na 6ª Legislatura da Alesc, entre 1967 e 1971, e participou como deputado constituinte de 1967.
Após a edição do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, teve novamente os direitos políticos suspensos e ficou impedido de exercer atividades políticas por dez anos.
Trajetória
Manoel Dias em cinco momentos
- 1962 Eleito vereador em Içara
- 1966 Eleito deputado estadual
- 1968 Tem os direitos políticos suspensos após o AI-5
- 1980 Participa da fundação do PDT
- 2013 Assume o Ministério do Trabalho e Emprego
Um dos fundadores do PDT
Com a redemocratização e a reorganização partidária brasileira, Manoel Dias teve participação decisiva na construção do Partido Democrático Trabalhista.
Em 1980, ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças históricas, participou da fundação do PDT, tornando-se uma das principais referências do trabalhismo no país. Em Santa Catarina, presidiu o partido e teve papel importante na organização e consolidação da legenda.
Sua relação com Brizola foi um dos capítulos mais marcantes de sua trajetória política. Manoel Dias permaneceu fiel aos ideais trabalhistas e à defesa da educação, dos direitos sociais, da democracia e da soberania nacional, bandeiras que marcaram sua atuação ao longo da vida pública.
Do Legislativo ao Ministério do Trabalho
Mais de cinco décadas depois do início de sua trajetória política, Manoel Dias chegou ao comando de uma das principais pastas do governo federal.
Em 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego, permanecendo no cargo até outubro de 2015.
Manoel Dias deixa a esposa Dalva Maria de Luca Dias, dois filhos, noras e netos, além de um legado de mais de 60 anos dedicados à política, ao trabalhismo e à defesa da democracia.
Família destaca legado político
Durante a despedida de Manoel Dias, realizada nesta segunda-feira (24), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), familiares relembraram a trajetória política e pessoal do ex-ministro do Trabalho e ex-presidente nacional do PDT. Para o filho, Marcelo Dias, o pai deixa como principal legado a defesa das camadas mais pobres, dos trabalhadores e a dedicação à construção de um país mais justo.
“Gratidão” e “orgulho” foram as palavras escolhidas por Marcelo para definir o sentimento da família. Segundo ele, Manoel Dias conseguiu conciliar a intensa atuação política com o amor e a dedicação à família.
“Todas as pessoas que conviveram com ele durante a vida inteira sabem do carinho e da paixão que ele teve pela vida. Ele deixa muito bons exemplos para nós, familiares, e para a sociedade. Trabalhou em prol da grande maioria e sempre quis o bem de toda a população”, afirmou.
Marcelo também recordou momentos da infância em que acompanhava o pai em encontros com importantes nomes da política brasileira, entre eles Leonel Brizola, Darcy Ribeiro, outros integrantes da história do PDT.
“Eu participava às vezes, ainda pequeno, e dormia ao lado escutando as conversas deles. Tenho muitas lembranças desses momentos. Eles sempre defendiam uma postura única, uma mesma linha de pensamento”, contou.
Para o filho, uma das principais marcas da trajetória de Manoel Dias foi a defesa das mulheres e das populações mais vulneráveis.
Filho de uma família humilde, Manoel nunca escondeu suas origens e, segundo Marcelo, transformou essa experiência em uma motivação permanente para sua atuação pública.
“Ele sempre foi um defensor das mulheres e das classes mais pobres. Veio de uma classe muito humilde, conseguiu vencer na vida e nunca escondeu isso. Sempre buscou resgatar e fomentar a qualidade de vida para toda a população”, destacou.
Trajetória política e cassação
Marcelo também lembrou a relação de Manoel Dias com Santa Catarina e sua participação na política desde os primeiros anos de atuação parlamentar.
Ele foi deputado estadual e participou da história política do Estado desde a inauguração da Assembleia Legislativa em sua atual trajetória institucional.
Pouco depois, porém, teve o mandato cassado durante a ditadura militar e permaneceu por anos afastado da vida política em razão da cassação. Com a redemocratização e a anistia, retomou a atuação política e voltou a Florianópolis.
Mesmo durante o período em que esteve afastado dos cargos públicos, segundo o filho, Manoel manteve forte participação nos debates políticos e ajudou a transmitir seus ideais às novas gerações do partido.
Trajetória e legado
Atuação parlamentar
Ele foi deputado estadual e participou da história política do Estado desde a inauguração da Assembleia Legislativa em sua atual trajetória institucional.
Cassação e afastamento
Pouco depois, porém, teve o mandato cassado durante a ditadura militar e permaneceu por anos afastado da vida política em razão da cassação. Com a redemocratização e a anistia, retomou a atuação política e voltou a Florianópolis.
Legado político
Mesmo durante o período em que esteve afastado dos cargos públicos, segundo o filho, Manoel manteve forte participação nos debates políticos e ajudou a transmitir seus ideais às novas gerações do partido.
Marcelo também destacou a atuação do pai no governo federal, incluindo iniciativas voltadas aos trabalhadores e à modernização dos serviços públicos. Entre elas, citou a implantação da Carteira de Trabalho Digital e outras ações de inovação e tecnologia.
Para ele, a passagem pelo Ministério do Trabalho representou o ponto alto da carreira política de Manoel Dias.
“Foi uma coroação da carreira política que ele teve. Nem sempre as pessoas que merecem têm a oportunidade de estar lá, mas ele teve essa oportunidade de fazer pela população que sempre defendeu”, afirmou.
Um último ano de convivência com a família
Marcelo também falou sobre os últimos meses de vida do pai. Manoel Dias sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) em 2025 e, desde então, passou a ter uma convivência ainda mais próxima com a família.
“Ele ficou com a família, ainda com muito carinho, dando amor para a gente, reconhecendo e abraçando. Aproveitamos esse último ano para uma despedida bastante longa, mas muito prazerosa, com muito amor”, relatou.
A esposa, Dalva Maria de Luca Dias, também ressaltou as características pessoais que, segundo ela, marcaram a vida do ex-ministro. Emocionada, afirmou que as palavras não são suficientes para definir a personalidade do marido.
“Palavras são insuficientes para descrever quem ele foi, pela sua generosidade, pela sua paciência, por saber perdoar as pessoas e por não guardar mágoas. Ele foi uma grande liderança e, principalmente, teve uma grande fé no Brasil e no seu povo”, afirmou.
Ela também agradeceu aos amigos, companheiros de partido e correligionários que estiveram presentes no velório e às inúmeras mensagens de solidariedade recebidas pela família de diferentes partes do país.
“Quero aproveitar este momento para agradecer às pessoas que estão aqui conosco, convivendo com esse momento de dor, mas também de alegria, porque sei que ele está em um lugar melhor. Ele estava sofrendo demais”, declarou.
A família também recebeu manifestações de solidariedade de lideranças políticas de diferentes regiões do Brasil. Em Florianópolis, o prefeito Topázio Neto decretou três dias de luto pela morte de Manoel Dias.
Manoel Dias estava internado havia cerca de três semanas no Hospital Baía Sul, em Florianópolis, em decorrência de complicações de saúde após um AVC sofrido em 2025.
Velório e despedida
O corpo de Manoel Dias está sendo velado no Plenário da Alesc. Às 14h haverá missa de corpo presente. Após a missa, o corpo segue para Palhoça, onde será cremado.
Exposição no Centro de Memória
Durante esta semana, o Centro de Memória da Assembleia Legislativa recebe uma pequena exposição dedicada à trajetória de Manoel Dias. A mostra reúne elementos relacionados ao período de atuação do ex-deputado estadual e apresenta parte de sua memória política no Parlamento catarinense.
ALESC EXPLICA
Manoel Dias, conhecido como Maneca, foi ex-deputado estadual por Santa Catarina, ex-ministro do Trabalho e um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Sua trajetória política ultrapassou seis décadas.
Ele foi eleito deputado estadual em 1966 e exerceu mandato na 6ª Legislatura da Assembleia Legislativa, entre 1967 e 1971. Também participou como deputado constituinte de 1967.
Manoel Dias teve mandato cassado, permaneceu 11 meses preso como preso político e, após o AI-5, teve os direitos políticos suspensos por dez anos.
Assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego em 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, e permaneceu no cargo até outubro de 2015.

