
Reconhecimento às mulheres do Monte Serrat
A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC) será palco de uma importante homenagem às lavadeiras de Florianópolis, com foco nas mulheres que desempenharam esse ofício essencial na comunidade do Monte Serrat, no Maciço do Morro da Cruz. O evento, proposto pelo mandato do deputado estadual Marcos José de Abreu – Marquito (PSOL), acontecerá no Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright, no dia 13 de agosto, quarta-feira, com início às 19h.
A solenidade busca reconhecer a contribuição histórica, econômica e social dessas mulheres, que com sua força, resiliência e dignidade, garantiram o sustento de suas famílias e moldaram a identidade da região. As lavadeiras, muitas delas mulheres negras, desempenharam um papel fundamental na construção social e econômica da cidade, superando adversidades e contribuindo significativamente para a estruturação de importantes comunidades, como a do Monte Serrat. Seu trabalho, muitas vezes invisibilizado, é parte intrínseca da história de Florianópolis e do patrimônio imaterial de Santa Catarina.
Homenagem a autores da memória coletiva
Além da homenagem às lavadeiras, o evento também celebrará a escritora Priscila Freitas e o ilustrador Péricles Silva dos Santos. Eles são os artistas por trás do livro infantil "Lava, lavadeira na pedra da cachoeira", uma obra publicada pela Editora Cruz e Sousa, que desempenha um papel crucial no resgate da história e memória dessas mulheres de Florianópolis, valorizando a cultura e a identidade local.
Priscila Freitas, mulher negra e periférica, nascida e criada no Monte Serrat, doutoranda e mestre em Educação pela UFSC, será homenageada por seu trabalho contínuo de valorização da memória e cultura afro-brasileira e pelo resgate das histórias das lavadeiras. Péricles Silva dos Santos, arte-educador, também receberá reconhecimento por sua dedicação em usar a arte para contar histórias e valorizar a cultura popular, com destaque para seus projetos que valorizam memórias coletivas, como o livro das lavadeiras do Monte Serrat.
Lavadeiras homenageadas
Serão homenageadas as seguintes lavadeiras, algumas delas representadas por seus familiares:
Dona Osmarina Cardoso de Almeida (Dona Quena)
Nascida em 1951, atuou como lavadeira por cerca de 15 anos, garantindo o sustento familiar com dedicação. Além de lavadeira, trabalhou como auxiliar de serviços gerais e realizou faxinas. Sua trajetória é marcada pela força, trabalho e compromisso com a família.
Dona Isolete Gonçalves Souza
Nascida em 1940, foi lavadeira por mais de 20 anos, ajudando nas despesas do lar. Casada por 61 anos com João Ferreira de Souza ("Seu Teco"), criou sete filhos e dois sobrinhos, e dedicou 35 anos como auxiliar de serviços gerais na casa das Irmãs Missionárias de Jesus Cristo Crucificado. Sua trajetória é um testemunho de força, dignidade e resistência.
Dona Selma Ramos Barbosa
Nascida em 1945 em Florianópolis, iniciou sua vida profissional aos 11 anos para auxiliar a mãe. Foi lavadeira por cerca de 20 anos, lavando e passando roupas para diversas famílias, utilizando ferro de brasa e lavando na fonte próxima de sua casa. Também atuou como auxiliar de serviços gerais pela Comcap e colaborou com o posto de atendimento de saúde local.
Catarina Barbosa (in memoriam)
Nascida em 1927, em Biguaçu, foi mãe de nove filhos e dedicou 35 anos ao ofício de lavadeira, trabalhando com zelo e responsabilidade até se aposentar. Seu filho, Jucelino Nei Barbosa, receberá a homenagem em seu nome.
Daura Coelho Veloso (in memoriam)
Nascida em 1928, em Palhoça, criou 11 filhos lavando roupas na fonte. Analfabeta por grande parte da vida, alfabetizou-se aos 70 anos. Sustentou e educou seus filhos com orgulho através do ofício de lavadeira e passadeira. Sua neta, Claudia Regina Souza, receberá a homenagem.
Sudenir Hilária Sestrem
Nascida em 1943 na Barra da Lagoa, mudou-se para o Morro da Caixa e, após dificuldades, criou sozinha seis filhos. Assumiu o ofício de lavadeira na Fonte da comunidade, chegando a cuidar de 60 lavações diariamente, um pilar de coragem, força e dignidade para sua família e comunidade.
Paulina Pedrini Táboas (in memoriam)
Nascida em 1898 em Brusque, era alfabetizada e trabalhou na Fábrica de Bordado Hoepcke. Mãe de seis filhos, tornou-se lavadeira com cerca de 10 lavações, utilizando ferro a carvão e técnicas específicas. Também produzia doces para seus filhos venderem e cuidava de crianças na comunidade. Sua neta, Ana Lucia de Brito, receberá a homenagem.
Felisbina Táboas Costa (in memoriam)
Conhecida como Bibina, nasceu em 1928 e começou a lavar roupas aos 10 ou 11 anos na fonte de Dona Luzia, atendendo estudantes de pensões. Utilizava materiais como ferro a carvão, sabão Joinville, araruta, amido e anil. Sua filha, Luciana Táboas Mina, receberá a homenagem.
Darcy Vitória de Brito
Nascida em 1938, começou a lavar roupas aos 10 anos para poder estudar. Foi casada com João Daniel de Brito e teve três filhos. Estudou em diversas instituições e nunca teve vergonha de sua profissão, tendo fregueses importantes que garantiram seu sustento. Sua experiência a tornou uma pessoa com um olhar mais humano para a comunidade.
Resgate da história e da dignidade
A iniciativa do Gabinete do Deputado Marquito reforça o compromisso da ALESC em valorizar as raízes e a história da comunidade catarinense, prestando um merecido reconhecimento a essas mulheres que, com suas mãos, lavaram não apenas roupas, mas também construíram parte da história de Florianópolis, além daquelas pessoas que ajudam a preservar essa memória.
Serviço
O quê: Homenagem às Lavadeiras de Florianópolis e aos autores do livro "Lava, lavadeira na pedra da cachoeira"
Quando: 13 de agosto de 2025 (quarta-feira), com início às 19h
Onde: Plenarinho Deputado Paulo Stuart Wright – Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (ALESC)
Endereço: Rua Doutor Jorge Luz Fontes, 310, Centro, Florianópolis, SC

