
A prisão do soldado Marco Prisco, vereador em Salvador e presidente da Associação de Praças da Bahia (Aspra-BA), através da Lei de Segurança Nacional, foi denunciada publicamente pelo deputado Sargento Amauri Soares (PSOL). O parlamentar rechaçou o uso da legislação, que é "sucedânea" da perseguição política da ditadura, para prender um representante classista enquanto vigora o Estado de Direito Democrático. "Quero dizer à presidente Dilma [Rousseff] que existe pelo menos um preso político no Brasil", disse, depois de lembrar que ela também foi presa política.
Prisco foi detido no Complexo Penitenciário da Papuda em 18 de abril, por ter exercido liderança na greve de policiais e bombeiros militares da Bahia em 2012. Ele foi preso na Costa do Sauípe (BA) pela Polícia Federal, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Aeronáutica. A prisão preventiva foi decretada em 15 de abril pela Justiça Federal, quando nova greve foi deflagrada pelos militares baianos. O movimento foi encerrado um dia antes da prisão de Prisco, quando os policiais fizeram acordo com o Governo do Estado.
Após sentir dores no peito e formigamento no braço, Prisco foi levado à Unidade de Pronto Atendimento de São Sebastião e, em seguida, transferido para o Hospital de Base, onde se encontra no momento. A situação de saúde do policial piorou quando ele foi acusado de ser informante de uma tentativa de fuga frustrada de outros prisioneiros. "Ele foi ameaçado de morte pelos presos porque alguém disse que ele teria delatado a tentativa de fuga. Querem uma maneira eficiente de se livrar do soldado Prisco. Querem que ele seja assassinado no presídio por outros presos e ainda sair com a fama de 'dedo duro'", explicou Soares.
Sargento Soares cobrou ações das entidades de direitos humanos e dos órgãos públicos, como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos. "Será que estão vendo os direitos de um soldado da Polícia Militar, líder legítimo dos policiais e bombeiros na Bahia, preso na Papuda pela Lei de Segurança Nacional e ameaçado de morte?", questionou, em pronunciamento na tarde de quarta-feira, 7 de maio.
Em 2002, Prisco já havia liderado o primeiro movimento grevista da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia. Ele também integrou diretórios do PT, PCdoB e PSOL. Em 2005, foi um dos sócios fundadores da Associação Nacional dos Praças Policiais e Bombeiros (Anaspra). Com quase 15 mil votos, em 2011, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Salvador pelo PSDB.
No dia 22 de abril, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Salvador decidiu por unanimidade pela manutenção do mandato do vereador Marco Prisco (PSDB), com posicionamento amparado na Constituição, segunda a qual, nenhum parlamentar pode perder o mandato antes de ser julgado e condenado.
Alexandre Silva Brandão
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Pronunciamento: http://youtu.be/9UWLxBtGA54

