
Cuidar de quem ensina também é uma forma de fortalecer a educação. Com essa perspectiva, Urubici recebeu, nesta quinta-feira (5), o 1º Seminário Cuidando de Quem Ensina, promovido pela Assembleia Legislativa, por intermédio da Comissão de Educação e Cultura e da Escola do Legislativo. A iniciativa, proposta pelo deputado Tiago Zilli (MDB), abriu espaço para discutir a saúde emocional e o bem-estar dos profissionais que atuam na formação de crianças e jovens.
O encontro reuniu gestores, professores e demais profissionais da área em uma programação de palestras, reflexão e troca de experiências. Entre os temas abordados estiveram os desafios enfrentados diariamente por quem, além de ensinar, acolhe estudantes, acompanha famílias e lida com as diferentes demandas do ambiente escolar.
A participação do público foi um dos destaques. Quase 500 pessoas se inscreveram para acompanhar a programação, número que surpreendeu o deputado Tiago Zilli, autor da proposta que deu origem ao evento. Para o parlamentar, a adesão demonstra a relevância de discutir o cuidado com os profissionais da educação diante das crescentes exigências da rotina escolar.
Zilli destacou que o estresse e a sobrecarga fazem parte da realidade de muitos professores, que precisam conciliar as demandas em sala de aula com questões relacionadas às famílias e ao contexto em que os estudantes estão inseridos.
O deputado também ressaltou a importância de promover momentos de pausa, reflexão e compartilhamento de experiências, permitindo que os profissionais dividam dificuldades e tenham acesso a novos conhecimentos. Segundo ele, a mobilização da Escola do Legislativo, do governo do Estado e da Prefeitura de Urubici foi fundamental para a realização do seminário.
Cuidado que precisa ser permanente
O prefeito de Urubici, Leandro Corrêa (PSD), destacou que a iniciativa reforça o compromisso da administração municipal com a valorização dos profissionais da educação. Segundo ele, professores e servidores enfrentam o desafio de conciliar questões pessoais com a responsabilidade de acolher estudantes que também chegam à escola com suas próprias dificuldades.
Para o prefeito, discutir saúde mental e inteligência emocional é fundamental, mas o cuidado precisa integrar uma política permanente, baseada no diálogo, no respeito e na participação dos educadores. Ele ressaltou a responsabilidade da administração municipal em ouvir os profissionais e oferecer condições adequadas para o exercício da atividade.
Corrêa também relacionou o tema aos investimentos na educação municipal. Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) mostram que Urubici passou de 5,9, em 2023, para 6,5, em 2025, nos anos iniciais do ensino fundamental. O avanço representa crescimento de aproximadamente 10,2% e a maior nota já registrada pelo município.
Entre os próximos desafios, o prefeito apontou melhorias na infraestrutura das escolas, aperfeiçoamento do sistema de ensino, capacitação dos professores e fortalecimento do acolhimento de crianças e adolescentes.
Neurociência e aprendizagem
A relação entre saúde emocional e aprendizagem abriu a programação de palestras. A mestre em Neurociência Larissa Renata de Oliveira conduziu a primeira atividade, com o tema “O cérebro que aprende: contribuições da neurociência para a educação”. Ela destacou como as emoções influenciam a capacidade de aprendizagem em diferentes fases da vida.
Segundo a especialista, embora a primeira infância seja um período especialmente importante para o desenvolvimento cerebral, a aprendizagem ocorre ao longo de toda a vida. Nesse processo, o equilíbrio emocional exerce papel fundamental tanto para estudantes quanto para educadores.
Larissa chamou a atenção para a necessidade de os professores reconhecerem seus próprios limites e encontrarem momentos de pausa em meio às exigências da rotina. Para ela, o autocuidado não segue uma fórmula única e pode estar em atitudes simples, como reservar tempo para descansar, realizar atividades prazerosas e respeitar as próprias necessidades.
A palestrante também abordou os impactos da ansiedade, da depressão e da privação do sono na saúde mental e na capacidade de aprendizagem. O ritmo acelerado da sociedade e o uso excessivo da tecnologia foram apontados como fatores que podem comprometer o descanso e contribuir para o desgaste emocional.
O alerta encontra respaldo em dados do Ministério da Saúde. Segundo o levantamento Vigitel 2024, a proporção de adultos com diagnóstico médico de depressão nas capitais brasileiras passou de 10,9%, em 2020, para 14,5%, em 2024. Os números reforçam a importância de ampliar o debate sobre saúde mental e promover espaços de acolhimento e cuidado, especialmente entre os profissionais da educação.
Saúde emocional dos professores acende alerta na educação
A saúde emocional dos profissionais da educação também foi tema da palestra de Kebny Secchi, psicóloga e mestre em Psicoterapia, que abordou o tema “Saúde emocional, equilíbrio e bem-estar na docência” e apresentou indicadores preocupantes sobre o bem-estar psicológico dos docentes.
Entre os dados apresentados, 60,1% dos profissionais relatam ansiedade, 48,1% enfrentam cansaço excessivo ou baixo rendimento e 41,1% têm problemas de sono. O levantamento aponta ainda que sete em cada dez docentes apresentam sinais de depressão ou ansiedade. Além disso, 84% afirmam sentir-se emocionalmente exaustos.
Os indicadores reforçam a necessidade de ampliar a atenção à saúde mental no ambiente escolar e valorizar o bem-estar de quem atua diariamente na educação.

