
A sessão plenária desta quinta-feira (5) abriu espaço para explanação do médico neurologista Ricardo Pereira Gonçalves, da Associação Brasileira de Neuromielite Optóica (ABNMO), e da jornalista Márcia Denardin, da ONG Além da Esclerose.
Eles abordaram dados sobre a neuromielite optóica (NMO), doença rara que causa inflamação crônica nos nervos ópticos e medula espinhal e tem prevalência em mulheres jovens de origem negra e asiáticas.
A suspensão da sessão foi solicitada pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputado Neodi Saretta (PT), em razão da campanha Março Verde, que reflete o movimento de conscientização sobre a NMO.
“É uma doença que atinge mulheres em idade produtiva”, diz Márcia. Ela relata que o SUS não tem protocolo clínico e nem fornece medicação na rede pública.
A deputada Ana Campagnolo (PL), que presidia a sessão plenária, lembrou, após as falas, o caso da cozinheira cega Cristina Há, que participou do programa norte-americano Master Chefe, em 2012, acometida pela NMO.
Surtos imprevisíveis com graves consequências
A neuromielite óptica, ou espectro da neuromielite óptica (NMOSD), provoca surtos imprevisíveis que podem levar à cegueira, paralisia e disfunções motoras permanentes. É uma doença autoimune rara e grave do sistema nervoso central, que causa inflamação crônica nos nervos ópticos e na medula espinhal. Provoca surtos imprevisíveis que podem levar à cegueira, paralisia e disfunções motoras permanentes, e pode ser erroneamente diagnosticada como esclerose múltipla (EM), mas tem uma condição diferente.
“A doença precisa ser mais conhecida”, diz o médico Ricardo Gonçalves. Ele relata que em Santa Catarina há cerca de 50 pacientes diagnosticadas, mas admite que, estatisticamente, mais de 300 mulheres podem ser acometidas pela doença e não ter acompanhamento adequado. No Brasil, o número estimado de pacientes varia de 3,5 mil a 7 mil mulheres.
Os hospitais Universitário (HU, da UFSC) e Celso Ramos têm ambulatórios capacitados para o tratamento. A medicação é cara, não está entre as fornecidas pelo SUS e poucas pacientes garantem pela via judicial.
Características que apontam sinais de alerta
Entre características estão a neurite óptica, que causa dor nos olhos, visão turva ou perda de visão (que pode ser bilateral). A mielite transversa se exprime por fraqueza muscular intensa nos braços e pernas, dificuldade para andar, perda de sensibilidade, incontinência urinária/fecal e dores. Entre outros sintomas também estão soluços persistentes, náuseas e vômitos intensos.
Importância do diagnóstico precoce
O diagnóstico é feito por neurologista através de ressonância magnética, exames de sangue para pesquisa do anticorpo anti-aquaporina 4 (AQP4) e análise do líquor.
A doença não tem cura, mas há medicamentos eficazes para tratar os surtos agudos e terapias de longo prazo para prevenir novas crises. O diagnóstico precoce é fundamental para minimizar sequelas. “O diagnóstico precoce garante um prognóstico bom à paciente, garantindo qualidade de vida e capacidade laboral”, explica o neurologista.
Perguntas Frequentes
1) O que é a neuromielite optóica (NMO)?
É uma doença autoimune rara e grave do sistema nervoso central que causa inflamação crônica nos nervos ópticos e na medula espinhal, atingindo principalmente mulheres jovens.
2) Quais são os principais sintomas da doença?
Os sinais de alerta incluem dor nos olhos, perda de visão, fraqueza muscular intensa nos membros, dificuldade para andar, perda de sensibilidade, soluços persistentes e náuseas.
3) Como é feito o tratamento e o diagnóstico?
O diagnóstico é realizado por neurologistas através de ressonância e exames específicos. Embora não tenha cura, o diagnóstico precoce e terapias de longo prazo são essenciais para prevenir crises e garantir qualidade de vida.

