Comunicação

Entidades de proteção animal do Médio Vale do Itajaí apresentam demandas em audiência pública


Serviço de castração, chipagem e apoio ao resgate de animais foram as principais solicitações apresentadas à Alesc em Timbó

Alexandre Back
26/08/2025 - 12h04min

O evento buscou levantar as demandas e sugestões da região do Médio Vale do Itajaí sobre o tema proteção animal.

O evento buscou levantar as demandas e sugestões da região do Médio Vale do Itajaí sobre o tema proteção animal.

FOTO: Daniel Conzi/Agência AL

Comissão realiza nova audiência em Timbó
A Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal promoveu, na noite desta segunda-feira (25), em Timbó, uma nova etapa do seu ciclo de audiências públicas que visam levantar as demandas e sugestões das diversas regiões do estado sobre o tema proteção animal. O evento aconteceu na Câmara de Vereadores de Timbó e reuniu lideranças políticas e representantes de entidades de proteção aos animais de diversos municípios do Médio Vale do Itajaí.

A exemplo das demais audiências, o serviço de castração foi a principal demanda apresentada pelas entidades participantes, seguindo-se a chipagem e o apoio para o resgate e tratamento de animais abandonados.

Deputado destaca carta aberta ao governador
Na ocasião, o deputado Marcius Machado (PL), que preside a Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal, afirmou que a audiência em Timbó encerra o ciclo de sete audiências públicas realizadas pela Assembleia Legislativa, às quais se somaram outras dez promovidas pelo gabinete do parlamentar. A próxima etapa, conforme disse, será encaminhar ao poder público as informações levantadas nas regiões catarinenses.

“Então, com estes 17 eventos importantes, nós encaminhamos um processo que vai culminar com a entrega de uma carta aberta para o governador Jorginho Mello, durante o 3º Fórum Estadual de Ativistas e Protetores de Animais de Santa Catarina, que vai acontecer no dia 22 de outubro, na Alesc.”

Censo animal será uma das prioridades
Ele adiantou que, entre as principais questões que devem ser abordadas durante o Fórum e também trabalhadas pela comissão nos meses posteriores, está a realização de um censo da população animal no estado.

“Nós precisamos de dados. Uma das questões mais desafiadoras é o que nós temos hoje de animais, sejam eles comunitários, semi-domesticados ou domiciliados, aqueles que estão com a comunidade. Então, o censo animal é o grande paradigma de onde nós estamos e de onde queremos chegar.”

Outros passos, disse, são tornar as leis existentes mais efetivas, criar mais delegacias de proteção animal e também ampliar o apoio do poder público às organizações não governamentais que atuam no setor.

Mais delegacias e apoio às ONGs
“A partir desse momento, nós precisamos também de uma aplicação muito forte da lei, que a lei cumpra, de fato, a sua função social. Então, as delegacias regionais de proteção se fazem necessárias no estado de Santa Catarina, além das três que já temos: na Grande Florianópolis, em Blumenau e em Joinville. Depois, precisamos adentrar para o interior do estado, para que possamos aplicar isso e aumentar o apoio às protetoras, que é fundamental, sejam elas independentes ou as ONGs já formalizadas.”

Pet Levado a Sério e recursos para castração
Outro tema levantado por Machado durante a audiência foi o programa Pet Levado a Sério, lançado pelo Executivo em abril deste ano.

“Hoje nós estamos fazendo esse levantamento e também encerrando o ciclo de cadastros do Pet Levado a Sério, que é o maior programa de castrações em Santa Catarina. São 18 milhões de reais a serem aplicados pelo governador Jorginho Mello, para que possamos adentrar em um novo ciclo de desenvolvimento, no que tange a políticas públicas voltadas àquela que é a maior medicina de cura da alma, que são os animais.”

Experiências locais e consórcio intermunicipal
Presente à audiência de Timbó, o vice-prefeito do município, Rangel Bonatti, discorreu sobre as iniciativas que a prefeitura local vem desenvolvendo em favor da causa animal. Ele citou a criação de uma secretaria para trabalhar o tema, o estabelecimento de parcerias com as entidades protetoras de animais e também a articulação de um consórcio com municípios vizinhos para a contratação de clínicas veterinárias.

Uma ação prioritária, entretanto, será evitar a ocorrência de abandonos de animais no município. “Hoje precisamos trabalhar bastante forte em castração e chipagem para a gente ter o cadastramento desses cachorros e gatos dentro do município, para que possamos ter o controle dessa população.”

Demandas das entidades protetoras
Para a presidente da Associação Contra os Maus-Tratos dos Animais, Mãos Protetoras, de Timbó, Adriana Maria Sevegnani, as ações planejadas pela prefeitura local chegam em uma boa hora para auxiliar o trabalho realizado pelas entidades protetoras. Conforme disse, somente na última semana, quatro animais foram abandonados e dois atropelados no município, ocorrências que poderiam ter sido evitadas caso já houvesse um maior controle dessa população.

“Queremos, então, recursos para que possa haver essa microchipagem e castração, e também apoio no resgate de animais, para que o tutor que abandona seja identificado e punido. Que ele pague, pelo menos, a demanda desse animal que ficou em um lar temporário, ao custo de 60, 100 reais ao dia, e do tratamento veterinário que tivemos que arcar para colocá-lo em um novo lar.”

Já a vice-presidente da Associação Protetora de Animais Cães e Gatos, do município de Rodeio, Bruna Barcelos, além de um programa de castrações, solicitou também a criação de um abrigo público para animais abandonados.

“Eu acredito que a questão da castração é sempre a maior prioridade da causa animal, muito também pelo controle de animais na comunidade. Mas enfrentamos também muitas adversidades quanto à falta de um abrigo. A população local costuma nos contatar quando acontece um abandono ou maus-tratos, e precisamos realocar o animal, mas não temos um local específico, ficando na dependência de lares temporários. Como o trabalho da nossa ONG é 100% voluntário, os próprios integrantes acabam arcando com esses custos, que incluem também deslocamentos e resgates.”

Por sua vez, a presidente da Associação Equilíbrio Vital de Defesa do Meio Ambiente e dos Animais, Marise Rosa Floriani Holderbaum, pediu auxílio à comissão para que a entidade, fundada no ano de 2004, em Timbó, possa continuar prestando seus serviços à comunidade.

“Nós sabemos que as coisas vão evoluindo e, cada vez que passa o tempo, precisamos de mais verbas, porque sem dinheiro não se faz nada. Isso é uma realidade e ficamos preocupadas em como vamos fazer no ano seguinte. Mas eu acho que, se nós estamos aqui e se essa comissão de proteção está indo por diversos municípios, provavelmente tem um objetivo e nós vamos ver se é viável para nós também.”

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