Comunicação

Confira o retrospecto do processo de impeachment contra o governador


Marcelo Espinoza
07/05/2021 - 17h37min

Representação que deu origem ao processo de impeachment foi protocolizado na Alesc em agosto do ano passado

Representação que deu origem ao processo de impeachment foi protocolizado na Alesc em agosto do ano passado

FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL

O processo de impeachment relativo ao caso dos respiradores, concluído nesta sexta-feira (7), teve início em agosto do ano passado, quando 16 pessoas, entre advogados, empresários e profissionais liberais, protocolizaram na Assembleia Legislativa uma representação contra o governador Carlos Moisés (PSL) e a vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido).

Para os denunciantes, Moisés teria cometido crime de responsabilidade na compra dos respiradores junto à Veigamed, na tentativa de contratação do hospital de campanha que seria instalado em Itajaí, na prestação de informações falsas à CPI dos Respiradores (instalada no ano passado pela Alesc para investigar a compra fraudulenta) e na não adoção de procedimentos administrativos contra os ex-secretários de Estado Helton Zeferino e Douglas Borba. Já Daniela, na visão dos autores da denúncia, teria sido omissa ao não tomar providências na compra dos respiradores e no hospital de campanha não contratado.

A denúncia foi entregue à Assembleia em 10 de agosto e encaminhada para análise da Procuradoria Jurídica do Parlamento catarinense. No dia 3 de setembro, acatando recomendação da procuradoria, a Presidência da Alesc recebeu a denúncia, dando início à tramitação da Representação 2/2020.

No dia 22 de setembro, foi instalada a comissão especial da Assembleia para analisar a representação, formada pelos deputados Ana Campagnolo (PSL), Marcius Machado (PL), Fabiano da Luz (PT), Kennedy Nunes (PSD), Paulinha (PDT), Nazareno Martins (PSB), Sergio Motta (Republicanos), Ada de Luca (MDB) e Valdir Cobalchini (MDB).

No dia 13 de outubro, a comissão, presidida pelo deputado Fabiano da Luz, votou e aprovou o parecer do relator Valdir Cobalchini sobre a denúncia. No documento, o relator recomendou a abertura do processo de impeachment contra Moisés e o arquivamento do caso contra Daniela, por falta de indícios de prática de crime de responsabilidade. Com isso, a vice-governadora foi retirada do processo.

No dia 20 de outubro, o relatório da comissão especial foi votado em plenário, em sessão da Assembleia Legislativa. Por 36 votos favoráveis, dois contrários e uma abstenção, os deputados aprovaram o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 11/2020 e autorizaram a abertura do processo de impeachment contra o governador.

Comissão mista
Com a autorização da Assembleia para processar Moisés, foi formada a comissão mista, denominada Tribunal Especial de Julgamento, composta por cinco desembargadores e cinco deputados estaduais, conforme determina a Lei Federal 1.079/1950, conhecida como Lei do Impeachment.

Representaram a Alesc na comissão os deputados Laércio Schuster (PSB), Valdir Cobalchini (MDB), Fabiano da Luz (PT), Marcos Vieira (PSDB) e José Milton Scheffer (PP), que foram eleitos em plenário. Já o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) foi representado pelos desembargadores Luiz Zanelato, Sônia Maria Schmidt, Rosane Portela Wolff, Luiz Antônio Fornerolli e Roberto Lucas Pacheco, escolhidos por sorteio.

Na sessão de instalação do tribunal, em 30 de outubro, a desembargadora Rosane Wolff foi sorteada como relatora da denúncia. O parecer seria votado em 14 de dezembro, mas a sessão foi suspensa pelo presidente do tribunal, desembargador Ricardo Roesler, que acatou pedido do deputado Valdir Cobalchini para a solicitação de parecer elaborado pela Polícia Federal a respeito do inquérito que tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em fevereiro, o STJ indeferiu o acesso às informações solicitadas pelo parlamentar. Ainda em fevereiro, oito dos 16 subscritores da representação solicitaram ao tribunal a retirada de seus nomes do processo.

A sessão para análise do parecer sobre a denúncia contra Moisés foi marcada para 26 de março. A relatora Rosane Wolff votou pelo acolhimento da representação e pelo prosseguimento do processo de impeachment, com o julgamento de Moisés.

Após mais de 12 horas de manifestações, o tribunal acatou parcialmente, por 6 votos a 4, a denúncia contra o governador no caso dos respiradores. Os outros supostos crimes de responsabilidade, como a tentativa de contratação do hospital de campanha de Itajaí e as mentiras à CPI dos Respiradores, foram arquivados.

No dia 30 de março, Moisés foi afastado do cargo. Nesse período, o STJ, seguindo recomendação da Procuradoria-Geral da República (PGR), arquivou o inquérito contra o governador no caso dos respiradores.

No final de abril, o presidente do tribunal marcou o julgamento para 7 de maio. Após tentativas de adiamento da sessão, negadas pelo TJSC, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo próprio Roesler, Moisés foi absolvido por 6 votos a 4 e retornou ao cargo de governador do Estado.

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