Comunicação

Comissão de Agricultura debate risco da importação de alho para produtor catarinense


Os produtores locais querem a suspensão da importação do alho argentino e acusam a prática de dumping comercial.

Pedro Schmitt
24/03/2026 - 13h14min

Crise do setor do alho foi tratada durante a reunião da comissão em Curitibanos

Crise do setor do alho foi tratada durante a reunião da comissão em Curitibanos

FOTO: Paula Rodrigues/Embrapa

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Impactos da importação na produção de alho

As dificuldades da cadeia produtiva do alho, cultura tradicional das regiões serrana e meio-oeste, foi o principal assunto da reunião da Comissão de Agricultura.

Os produtores locais querem a suspensão da importação do alho argentino e acusam a prática de dumping comercial.
 
O coordenador da Câmara Setorial do Alho da região de Curitibanos, Itamir Gasparini, fez uma detalhada exposição sobre as implicações das importações do produto para a redução da área de plantio e o aumento do endividamento dos produtores em Santa Catarina.

Relato de produtores e articulação política

Gasparini esteve nesta segunda-feira (23) em Brasília, participando de reunião para tratar do que ele classifica como “crise do alho” com o Ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Paulo Teixeira.

Ele retornou a Curitibanos em tempo, para atender convite do deputado Berlanda (PL), que presidiu a reunião da Comissão por deferência do presidente do colegiado, deputado Altair Silva (PP).

Gasparini lembrou que o alho roxo se tornou cultura tradicional a partir da década de 1970, quando foi introduzido no município de Frei Rogério pelo imigrante Takashi Chonan.

Ganhou expressão na agricultura familiar das pequenas propriedades como cultura de inverno e levou Santa Catarina à condição de maior produtor nacional.

Redução da produção e desafios econômicos

Apesar da evolução das técnicas produtivas, a concorrência causada pela importação provocou a redução de área plantada e a redução de famílias dedicadas à cultura.

O Estado caiu para a terceira posição em nível nacional.

Os produtores alegam que há frequentes desrespeito às normas da portaria 435 do Ministério da Agricultura (MAPA), que trata de padrões de regulamentação para a importação do alho.

O resultado é que a área de plantio caiu de 2,4 mil hectares na safra 2018/2019 para 656 hectares na safra 2024/2025. E a redução é histórica, pois nos anos 90, eram cerca de 5 mil hectares plantados.
Ainda assim a produtividade cresceu, com apoio da assistência técnica da Epagri, saltando de 4 a 5 toneladas por hectare, para 12 a 14 toneladas.

“A questão é que há um mercado desleal na questão da importação”, pondera Gasparini. “A situação está causando endividamento, os contratos vão vencendo e o produtor renegocia dívidas com juros mais altos, entra num atoleiro, compromete seus bens, maquinários e rebanhos”.

Ele pediu apoio da Alesc para reforçar a luta por créditos subsidiados e controle do dumping, prática que ele define como condições artificiais para a concorrência do produto importado.

Propostas e encaminhamentos da Comissão

O produtor Kaoru Haramoto entregou um documento detalhando reivindicações ao presidente da Comissão Altair Silva.

O deputado Padre Pedro Baldissera (PT) sugeriu que a Comissão verifique a possibilidade de cobrar a restituição de benefícios fiscais previstos na Lei 17.721, de 2019, criada para preservar produtores catarinenses da importação de alho vindo da Argentina.

Defesa da sanidade animal

O representante da Cidasc de Caçador, Luis Felipe Bratti, falou sobre a força do agronegócio catarinense, responsável por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e  65% das exportações do Estado.

Ele destacou a importância da Cidasc para a defesa agropecuária e a garantia do controle sanitário que resulta em status comercial de Santa Catarina no mercado mundial. “Sem a defesa agropecuária essa força não se sustenta”, advertiu.

A Cidasc tem estrutura capilarizada em 19 regiões e atua em todos os municípios, atuando em barreiras nas divisas estaduais, fazendo a prevenção e proteção no trânsito de animais e produtos do agro “lado a lado com o produtor”.

Atuação da Epagri no meio rural

O representante da Epagri em Videira, Edilson Moreira, falou sobre a missão da extensão rural, de levar o conhecimento ao produtor e sua família, criando um modelo de excelência em pesquisa agropecuária, gestão e ensino, estimulando a competitividade e a sustentabilidade.

Ele destacou a eficiência de programas como o Terra Boa, que garante sementes de milho com custos subsidiados, análise de solo e fornecimento de calcário, kits de forrageiras e o incentivo à apicultura. Valorizou o Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) que oferece acesso ao crédito com o chamado “juro zero”, e valorizou a ação das gerências técnicas e regionais da Epagri, , os centros de treinamentos e cursos de capacitação de jovens e mulheres.

Moreira destacou que o governo está prestes a lançar o SC Rural 2 em parceria com o Banco Mundial, garantindo o financiamento de 150 milhões de dólares para investimentos no meio rural nos próximos cinco anos, grande parte em apoio direto aos produtores com juros subsidiados.


Alesc explica

Qual foi o tema da reunião da Comissão de Agricultura?

Os impactos da importação de alho e as dificuldades enfrentadas pelos produtores catarinenses.

Quais problemas foram apontados pelos produtores?

Concorrência desleal, redução da área de plantio e aumento do endividamento.

Que medidas foram sugeridas?

Controle do dumping, acesso a crédito subsidiado e revisão de benefícios fiscais.


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