Comunicação

Alesc realiza seminário estadual para fortalecer gestão de fundos sociais


Encontro debateu captação, aplicação e fiscalização de recursos do FIA e do FEI, que somam mais de R$ 285 milhões disponíveis em Santa Catarina.

Simone Sartori
11/08/2026 - 16h24min

Alesc realiza seminário estadual para fortalecer gestão de fundos sociais

Foto: Rodrigo Corrêa / Agência Alesc

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A Alesc, por meio da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, realizou nesta terça-feira (11) o Seminário Estadual de Gestão de Fundos Sociais FIA/FEI.

O encontro, no Auditório Antonieta de Barros, reuniu gestores públicos, conselheiros, representantes de organizações da sociedade civil e especialistas para discutir estratégias de fortalecimento da gestão dos recursos destinados às políticas de proteção à infância, à adolescência e às pessoas idosas.

O seminário teve como foco a qualificação da gestão do Fundo da Infância e Adolescência (FIA) e do Fundo Estadual do Idoso (FEI), com debates sobre captação de recursos, destinação de parte do Imposto de Renda, elaboração e seleção de projetos, controle interno, conformidade legal, fiscalização e prestação de contas.

A iniciativa também buscou ampliar o suporte técnico aos municípios, conselhos e entidades responsáveis por transformar os recursos disponíveis nos fundos em ações efetivas nas áreas de saúde, educação, assistência social, esporte, cultura e lazer.

Mais de R$ 285 milhões disponíveis

Atualmente, os dois fundos estaduais somam mais de R$ 285 milhões disponíveis. Conforme dados apresentados durante o seminário, o FIA possui mais de R$ 178 milhões em caixa, enquanto o Fundo Estadual do Idoso conta com aproximadamente R$ 107 milhões.

Um dos principais desafios apontados pelos participantes é justamente fazer com que esses recursos sejam aplicados e cheguem efetivamente à população.

A coordenadora do Centro de Apoio à Infância, Juventude e Educação do MPSC, Daniela Böck Bandeira, destacou que um dos principais obstáculos ainda é o desconhecimento da população sobre a possibilidade de destinar parte do Imposto de Renda aos fundos sociais.

Ela ressalta que o termo correto é destinação, e não simplesmente doação, já que se trata de uma parcela de um imposto que seria recolhido pelo contribuinte.

Participante durante o Seminário Estadual de Gestão dos Fundos Sociais FIA e FEI na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
“Todo Imposto de Renda que nós pagamos permite que uma fração seja destinada para permanecer aqui em Santa Catarina e chegar ao Fundo da Infância e Adolescência ou ao Fundo do Idoso. Assim, garantimos que esse recurso seja aplicado no nosso estado e possa proporcionar melhores condições para crianças, adolescentes e pessoas idosas.”

Além de ampliar a captação, outro desafio é fazer com que os valores já disponíveis sejam efetivamente transformados em ações. 

“Temos hoje mais de R$ 178 milhões em caixa na conta bancária do FIA para serem utilizados em projetos sociais. É um grande montante que precisa ser investido, porque dinheiro parado não traz proteção às crianças e aos adolescentes”, ressaltou Daniela.

Recursos para políticas da pessoa idosa

Já para as políticas voltadas às pessoas idosas, o presidente do Conselho Estadual do Idoso de Santa Catarina, Fábio Matos, informou que o FEI possui atualmente cerca de R$ 107 milhões em caixa.

Nos últimos anos, conforme Matos, foram destinados R$ 90 milhões por meio de editais. Em 2023, foram R$ 20 milhões para organizações da sociedade civil e R$ 20 milhões para estruturas governamentais.

Em 2025, um novo edital destinou R$ 25 milhões à sociedade civil e R$ 20 milhões a estruturas governamentais.

Participante durante o Seminário Estadual de Gestão dos Fundos Sociais FIA e FEI na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
“Temos outro montante importante e a previsão de novos editais para que consigamos utilizar, na sua amplitude, todo esse dinheiro e fazê-lo retornar à sociedade de maneira equitativa, por meio de projetos em Santa Catarina”, afirmou.

Entre as prioridades estão iniciativas capazes de proporcionar mais qualidade de vida, acesso à saúde e à educação, participação social e fortalecimento da autonomia da população idosa.

“Nós estamos lidando com um dos maiores fenômenos da sociedade, que é o seu envelhecimento. Cada vez mais, projetos e financiamentos serão fundamentais para qualificarmos a vida dessa parcela da população, que cresce de maneira muito rápida”, destacou Matos.

Conselhos definem prioridades

A conselheira nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Miriam Maria Santos, chamou a atenção para o papel dos conselhos na definição das políticas públicas e na gestão dos fundos. Durante sua participação, ela abordou desde a origem dos recursos até as responsabilidades dos conselheiros na definição das prioridades de investimento.

Participante durante o Seminário Estadual de Gestão dos Fundos Sociais FIA e FEI na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
“O Conselho aprova um plano de ação, determinando quais são as ações prioritárias em que o fundo vai investir, e depois faz o plano de aplicação, estabelecendo quanto de recurso será destinado a cada uma dessas políticas.”

Miriam destacou que ampliar o conhecimento da população sobre a existência e o funcionamento dos fundos é um desafio enfrentado em todo o país.

“O grande desafio é socializar essas informações com a população, tornar conhecidos o Conselho da Criança e o Fundo da Criança e fazer com que as pessoas possam participar ativamente da definição das políticas públicas e de onde serão aplicados esses recursos.”

A transformação

Um exemplo de como os recursos podem chegar à ponta é o projeto Elas em Movimento, citado por Daniela durante o seminário. A iniciativa foi aprovada pelo FIA estadual e atende meninas de 6 a 17 anos em situação de vulnerabilidade social, especialmente em Florianópolis e São José.

Por meio de atividades físicas, esportivas e de lazer realizadas no contraturno escolar, o projeto busca ampliar oportunidades e contribuir para o desenvolvimento e o fortalecimento das participantes.

A iniciativa foi apresentada por uma organização da sociedade civil, analisada pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente e selecionada para receber recursos. 

Promotora Daniela durante o Seminário Estadual de Gestão dos Fundos Sociais FIA e FEI na Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc
“É uma organização da nossa sociedade que elaborou o projeto, apresentou ao Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, captou o recurso e hoje promove atividades e o empoderamento de meninas em situação de vulnerabilidade”, explicou a promotora Daniela.

Projeto Marambolê

A abertura do seminário também mostrou, na prática, como projetos sociais podem contribuir para transformar realidades.

O público acompanhou uma apresentação cultural do Projeto Marambolê, organização que há dez anos utiliza a arte e a música como instrumentos de inclusão e desenvolvimento humano.

Apresentação cultural do Projeto Marambolê durante o Seminário Estadual de Gestão dos Fundos Sociais FIA e FEI
Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc

O público acompanhou uma apresentação cultural do Projeto Marambolê, organização que há dez anos utiliza a arte e a música como instrumentos de inclusão e desenvolvimento humano.

A ONG atende crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade, oferecendo aulas de música e atividades que estimulam convivência, expressão artística e desenvolvimento.


ALESC EXPLICA

O que é o FIA?

É o Fundo da Infância e Adolescência, utilizado para financiar programas e projetos voltados à promoção e à garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

O que é o FEI?

É o Fundo Estadual do Idoso, destinado ao financiamento de ações e projetos voltados à proteção, autonomia e qualidade de vida das pessoas idosas.

Por que se fala em destinação do Imposto de Renda?

Porque o contribuinte pode direcionar aos fundos uma parcela do imposto que já seria recolhida, fazendo com que parte desses recursos permaneça em Santa Catarina e seja aplicada em projetos sociais.

Quem decide onde os recursos serão aplicados?

Os respectivos conselhos aprovam planos de ação e de aplicação, definindo prioridades e a destinação dos recursos para políticas e projetos.

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