Comunicação

Seminário na Alesc debate saúde, autonomia e inclusão de pessoas com deficiência


Valquíria Guimarães
21/09/2026 - 10h05min

O seminário aconteceu no Auditório Deputada Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa.

O seminário aconteceu no Auditório Deputada Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa.

Foto: Igor Valentim Silveira / Agência Alesc

Evento reúne especialistas, autoridades, profissionais e representantes das Apaes para discutir prevenção, envelhecimento saudável e atendimento integral

A promoção da saúde e a prevenção como caminhos para ampliar a qualidade de vida, a autonomia e a inclusão social das pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla estão no centro dos debates da 8ª edição do Seminário de Prevenção e Saúde da Pessoa com Deficiência Intelectual e/ou Múltipla, realizado nesta segunda-feira (21), no Auditório Deputada Antonieta de Barros, no Palácio Barriga Verde, sede da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis.

Realizado justamente no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro e instituído pela Lei Federal 11.133/2005, o encontro reforça a necessidade de avançar nas políticas de inclusão, acessibilidade, garantia de direitos e promoção da saúde.

A iniciativa é do Parlamento catarinense, por meio da Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira e da Comissão de Saúde da Alesc, com apoio da Federação das Apaes de Santa Catarina (Feapaes-SC). O seminário tem como tema “Saúde, Respeito e Inclusão: Todas as pessoas merecem ser valorizadas em sua trajetória”.

A programação reúne especialistas, autoridades, familiares, profissionais e representantes das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) para compartilhar experiências e discutir estratégias voltadas ao atendimento integral das pessoas com deficiência.

Rede atende mais de 32 mil pessoas em Santa Catarina

A dimensão da rede de atendimento também foi destacada durante o evento. Atualmente, a Federação das Apaes de Santa Catarina reúne 200 Apaes e uma entidade congênere filiada, formando uma ampla estrutura de atendimento que alcança mais de 32 mil usuários e pessoas com deficiência em todo o estado.

Para a vice-presidente da Federação das Apaes de Santa Catarina, Janice Krasniak, fortalecer a área da saúde e aproximar diferentes políticas públicas é fundamental para garantir um atendimento mais completo.

“Falar de inclusão é valorizar a rede apaeana. É muito mais do que atendimento. É fortalecer a área da saúde, aproximar saúde, educação e assistência social, compartilhar conhecimento e apontar soluções”, destacou.

Janice também ressaltou a importância de valorizar os profissionais que atuam diretamente no atendimento às pessoas com deficiência.

“Aprender, ouvir novas experiências e compartilhar conhecimentos é fundamental. Reconhecer os profissionais que estão na ponta é reconhecer que cuidar exige compromisso e humanidade. Estamos falando de dignidade, direitos, autonomia e qualidade de vida das pessoas com deficiência.”

Envelhecimento é um dos desafios

A presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), Jeane Rauh Probst Leite, chamou atenção para dois momentos importantes da trajetória da pessoa com deficiência: a primeira infância, com a necessidade de estimulação precoce, e o processo de envelhecimento.

Segundo ela, a construção de uma rede de atendimento mais efetiva depende da articulação entre os diferentes agentes responsáveis pelas políticas públicas.

“Um dos nossos grandes desafios é o processo de envelhecimento. Precisamos garantir que as pessoas possam envelhecer com saúde. Ao mesmo tempo, precisamos olhar para a primeira infância e para a estimulação precoce. Hoje temos cerca de 12 mil crianças atendidas pela Fundação”, afirmou.

Jeane também defendeu uma atuação integrada entre Estado e municípios.

“É importante que cada município assuma a sua responsabilidade e que cada agente cumpra o seu papel. Dessa forma, teremos uma rede mais efetiva e conseguiremos melhorar o fluxo de atendimento. Temos um longo caminho pela frente e grandes desafios.”

Inclusão passa pelo respeito e pela escuta

A autodefensora da Federação das Apaes de Santa Catarina, Isabelli Macedo de Ávila, reforçou que discutir inclusão significa reconhecer a pessoa com deficiência como protagonista de sua própria trajetória.

“Falar de inclusão é falar de respeito. Falar de saúde é reconhecer que toda pessoa merece ser vista e ouvida em sua trajetória. Todas as pessoas merecem ser valorizadas por sua história.”

A participação dos autodefensores no seminário reforça a importância de incluir as próprias pessoas com deficiência nos debates sobre políticas públicas, atendimento e garantia de direitos.

Informação e formação para fortalecer a inclusão

O coordenador da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Alesc, David Crispim dos Passos, destacou o papel do seminário como espaço de informação, formação e renovação da luta pelos direitos das pessoas com deficiência.

“Eventos como este têm o objetivo de informar e formar. O dia 21 de setembro representa uma renovação da luta das pessoas com deficiência, uma luta que acontece todos os dias. Precisamos melhorar, nos fortalecer e manter a inclusão de fato.”

Crispim também chamou atenção para a necessidade de cuidar daqueles que atuam diretamente na rede de atendimento.

“Precisamos cuidar de quem cuida, inclusive olhar para a saúde mental dos profissionais e das pessoas que estão na rede Apae. Fortalecer esses profissionais também é uma forma de fortalecer a inclusão.”

Ao longo do dia, o seminário promove debates e troca de experiências sobre prevenção, saúde, envelhecimento, atendimento multiprofissional e políticas públicas. A proposta é ampliar o conhecimento e fortalecer a atuação da rede para que as pessoas com deficiência tenham assegurados direitos, autonomia, participação social e qualidade de vida em todas as etapas da vida.

Inclusão em todas as fases da vida

A abertura do seminário foi marcada pela palestra “Atenção Integral à Pessoa com Deficiência Idosa: Importância do Trabalho Multiprofissional nas Apaes”, ministrada por Tanara Zatti, especialista em Educação Inclusiva pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e mestra em Educação, na área de concentração em Práticas Educativas.

Em Santa Catarina, estima-se que cerca de 3% das pessoas com deficiência tenham Síndrome de Down. Professora da Fundação Catarinense de Educação Especial, Zatti atua fortemente na área de Educação Especial e Inclusiva, com foco em práticas voltadas para centros especializados como os Caesps/Apaese na coordenação de ações ligadas ao envelhecimento da pessoa com deficiência na Apae Brasil.

Ao abordar a experiência das Apaes, Tanara destacou a importância de uma atuação integrada no acompanhamento das pessoas com deficiência ao longo do processo de envelhecimento. O trabalho multiprofissional permite reunir diferentes áreas de conhecimento para atender às necessidades específicas de cada pessoa, considerando não apenas os aspectos relacionados à saúde, mas também autonomia, convivência familiar, participação social e qualidade de vida. O desafio de acolher uma pessoa com deficiência idosa está no processo de escuta. “As pessoas com deficiência, graças ao avanço de políticas públicas, também avançaram em sua longevidade, então chegaram ao processo de envelhecimento. Nessa fase, é importante que elas tenham dinâmica e espaço diferenciados”, observou.

Até a década de 1980, a expectativa de vida global de uma pessoa com Síndrome de Down era de apenas 25 anos. Graças aos avanços da medicina (especialmente em cirurgias cardíacas pediátricas) e às políticas de inclusão, essa média subiu para 60 anos. Consequentemente, a geração que está ultrapassando os 60 anos hoje ainda é estatisticamente pioneira e reduzida.

A discussão sobre o envelhecimento da pessoa com deficiência amplia o olhar sobre a inclusão social. O avanço da idade traz novas necessidades e exige que os serviços de atendimento estejam preparados para oferecer acompanhamento contínuo e adequado às diferentes etapas da vida.

Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pelas Apaes ganha relevância ao integrar profissionais e famílias na construção de estratégias de cuidado e desenvolvimento. A proposta é que a pessoa com deficiência seja reconhecida em sua integralidade, com direito à saúde, à educação, à convivência comunitária, à autonomia e à participação social.

O seminário também abre espaço para que profissionais e instituições compartilhem experiências concretas desenvolvidas nas Apaes catarinenses, aproximando conhecimento técnico e práticas que possam contribuir para o aprimoramento do atendimento.

Formação e troca de experiências

A programação reúne diferentes perspectivas sobre a atenção à pessoa com deficiência. Depois da palestra de Tanara Zatti, o evento segue com um painel de relatos de experiências de representantes das Apaes.

No período da tarde, os participantes acompanham a palestra “Intervenção na Primeira Infância: Caminhos Possíveis e Evidências Atuais”, com Natalia Diniz, seguida da palestra “Aprimorando Condutas e Promovendo Aprendizagem de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista”, ministrada por Ana Mota.

A diversidade dos temas reforça a importância de uma abordagem que contemple diferentes momentos do desenvolvimento e as múltiplas necessidades das pessoas com deficiência intelectual e/ou múltipla.

Alesc como espaço de debate e formação

Realizado no espaço da Assembleia Legislativa, o seminário transforma o Parlamento catarinense em ambiente de formação, diálogo e troca de experiências sobre inclusão social e políticas de atenção à pessoa com deficiência.

A iniciativa também contribui para aproximar profissionais, instituições, famílias e sociedade de temas que impactam diretamente a garantia de direitos e a construção de uma sociedade mais inclusiva.

Ao colocar em pauta a prevenção e a promoção da saúde, o seminário reforça que a inclusão não se limita ao acesso a serviços. Envolve também criar condições para que pessoas com deficiência possam envelhecer com dignidade, desenvolver sua autonomia, participar da comunidade e exercer plenamente seus direitos.

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias