Comunicação

Exposição fotográfica traz a sutileza da tradição das gueixas nipônicas


Pedro Schmitt
10/06/2026 - 21h02min

Mostra, aberta na noite desta quarta-feira (10), segue até o dia 19, no Espaço Cruz e Sousa

Mostra, aberta na noite desta quarta-feira (10), segue até o dia 19, no Espaço Cruz e Sousa

FOTO: Daniel Conzi/Agência Alesc

A fotógrafa Annete Owatari, neta de imigrantes japoneses, apresenta na Alesc, desde o início deste mês, a exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi”, em mostra alusiva à imigração japonesa no Brasil. As fotos estão expostas no Espaço Cruz e Sousa, no Palácio Barriga Verde.

A exposição faz parte da celebração dos 118 anos da imigração japonesa no Brasil e segue em exibição até o próximo dia 19. O ambiente também apresenta peças em cerâmica, leques e outros artesanatos típicos da província de Aomori, considerada “irmã” de Santa Catarina.

Falando em nome da Nipocultura, entidade criada em 2008 para valorizar a cultura japonesa em Santa Catarina, Yoshihico Kaneoya disse que a exposição traduz o espírito nipônico, ou seja, “mínimo de materialidade, máximo de expressividade”.

O deputado Pepê Collaço (PP), que viabilizou a exposição, lembrou o valor da “policultura que faz Santa Catarina o melhor estado brasileiro”, e elogiou a “lindíssima exposição, que bem representa a cultura que o Japão trouxe para o nosso País”.

O presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), destacou a importância dos descendentes japoneses, “que traduzem o espírito de um povo guerreiro e contribuitivo”. Ele valorizou a “integração social, cultural e comunicativa” da comunidade de origem nipônica com os catarinenses.

Olhar brasileiro no Japão
A seleção de obras fotográficas de Annete Owatari propõe um olhar poético e sensível sobre Gion, em Kyoto, um dos mais expressivos redutos de gueixas do Japão.

Hanamachi significa, em tradução literal, cidade das flores. E Kyoto é a cidade onde as gueixas se apresentam como artistas e guardiãs da cultura tradicional japonesa, especialistas em dança, música, cerimônia do chá e conversação. Elas atuam nos cinco distritos históricos da cidade, sendo Gion o mais famoso.

“Este recorte da exposição original reflete um olhar brasileiro”, diz a fotógrafa, que coletou fotos de gueixas, e de suas aprendizes, as geikos, entre 2009 e 2011. Ela foi por várias vezes ao Japão, e há quatro anos se dedica ao que chama de “trabalho autoral”.

As fotografias partem de uma observação íntima e contemplativa, interessada menos na representação exótica e mais na presença humana e sensível dessas mulheres e de seus espaços. Para captar algumas das fotos, a autora deu plantão em frente de casas de gueixas, flagrando-as com suas lentes – inclusive no interior de um táxi – quando estavam saindo para eventos sociais onde trabalham.

Distanciando-se dos estereótipos frequentemente associados a essas figuras, as imagens buscam revelar sutilezas silenciosas: gestos delicados, movimentos, texturas, tecidos, pequenos detalhes que compõem uma atmosfera tão singular.

A exposição “Mundo Gion: Nuances do Hanamachi” já foi exibida no Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina e no Museu da Escola Catarinense, ambos em Florianópolis, e no Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville.

Parceria entre Santa Catarina e Aomori
O artesanato e outras peças artísticas vindas de Aomori refletem a integração da província japonesa com Santa Catarina.

Aomori é famosa por suas tradições e paisagens, e mundialmente conhecida pela produção de maçãs. É de lá que os imigrantes japoneses trouxeram para Santa Catarina, na década de 1960, as primeiras mudas de macieiras Fuji.

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