Comunicação

Seminário de Administradores, Orientadores e Supervisores Escolares debate desafios da educação em SC


Tatiani Magalhães
02/06/2026 - 12h58min

Seminário de Administradores, Orientadores e Supervisores Escolares debate desafios da educação em SC

Foto: Ana Quinto / Agência Alesc

Com uma programação voltada ao fortalecimento da gestão educacional e à valorização dos especialistas escolares, teve início nesta segunda-feira (2), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o 1º Seminário de Administradores, Orientadores e Supervisores Escolares de Santa Catarina.

Ao longo de dois dias, especialistas, pesquisadores e gestores estarão reunidos no Auditório Antonieta de Barros, para debater temas relacionados à gestão educacional, inclusão escolar, formação profissional, entre outros.

A abertura contou com a participação da presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesc, deputada Luciane Carminatti (PT), proponente da atividade.

“Este primeiro seminário tem grande importância para administradores, orientadores, supervisores e demais profissionais da educação. A escola é construída tanto pelos profissionais que atuam em sala de aula quanto por aqueles que dão suporte à organização e ao funcionamento da unidade escolar”.

A parlamentar destacou que o objetivo do seminário é discutir os desafios atuais, que envolvem desde as transformações tecnológicas e o avanço da inteligência artificial até as mudanças de comportamento dos estudantes, justificando a necessidade de equipes preparadas para compreender o atual cenário pedagógico.

Valorização, sobrecarga e concursos: os desafios da carreira

A presidente da Associação dos Orientadores Educacionais de Santa Catarina (AOESC), Lúcia Maria Machado, destacou a importância da integração entre os especialistas da educação.

“A parceria entre orientadores, administradores e supervisores é fundamental. Este seminário fortalece essa integração, que sempre foi um desejo das categorias. Esperamos dois dias de muito aprendizado e troca de experiências.”

Sobre as principais demandas da área, ela ressaltou a necessidade de valorização profissional e atenção à saúde mental dos trabalhadores.

“Entre os desafios estão a valorização da categoria, a sobrecarga de trabalho e a realização de concursos públicos. Em muitos municípios, os concursos têm sido cada vez mais raros.”

Ela aponta que também há uma preocupação crescente com a saúde mental dos profissionais. “Não se trata apenas de uma questão salarial, mas de condições de trabalho diante do aumento constante das demandas nas escolas”, frisou.

Na ocasião, a educadora também lembrou que o Decreto nº 72.846, de 1973, regulamenta a Lei nº 5.564, de 1968, que estabelece as atribuições do orientador educacional no Brasil, incluindo a assistência aos estudantes, individualmente ou em grupo, visando ao seu desenvolvimento integral e à preparação para suas escolhas pessoais e profissionais.

Escola pública, formação docente e organização escolar

Doutora em Educação e representante da Associação dos Supervisores Escolares de Santa Catarina, Rosimere Jorge da Silva destacou a relevância do encontro para a categoria.

“Este é um momento importante para os profissionais e especialistas da educação. A defesa da educação pública exige participação nos espaços de debate e reflexão sobre a escola e seus desafios.

Também vivemos um período de revisão dos planos de educação, o que torna essencial a contribuição dos profissionais da área. Agradeço às entidades organizadoras, à Assembleia Legislativa e a todos que vieram de diferentes regiões do estado para fortalecer este espaço de diálogo.”

Os desafios políticos e pedagógicos para a inclusão escolar

A conferencista de abertura, Dalila Andrade Oliveira, ressaltou que os desafios da educação estão diretamente relacionados às desigualdades presentes na sociedade brasileira.

“Antes de tudo, esses são desafios que a própria sociedade precisa enfrentar. Nosso maior problema é a desigualdade social e a pobreza. Essa desigualdade se manifesta de diferentes formas no país: econômica, regional, racial e de gênero. São questões estruturais que precisam ser enfrentadas para que possamos avançar efetivamente na educação.”

Na condição de pesquisadora, Dalila explicou que houve avanços no Brasil na redução de algumas desigualdades e na melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ao longo dos últimos anos. “No entanto, ainda há muito a ser feito.”

As discussões realizadas ao longo da programação buscam apontar caminhos para o aprimoramento das práticas educacionais e evidenciam o compromisso das entidades participantes com uma escola pública mais democrática, crítica e socialmente comprometida.

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