Comunicação

Tribuna registra críticas a cortes de verbas federais e defesa da qualificação do trabalhador


Pedro Schmitt
17/06/2026 - 17h28min

Tribuna registra críticas a cortes de verbas federais e defesa da qualificação do trabalhador

Foto: Rodrigo Corrêa/Agência Alesc

Críticas ao contingenciamento de verbas para as Forças Armadas, defesa da capacitação dos trabalhadores, pedido de nova balsa em travessia de rio na Serra e protesto contra possível expansão de cotas na Udesc foram motivos de pronunciamentos na tribuna, durante a sessão desta quarta-feira (17).

Críticas ao corte de verbas federais

As manifestações na tribuna, na sessão plenária desta quarta-feira (17), iniciaram com críticas do deputado Sargento Lima (PL) aos cortes orçamentários determinados pelo governo federal, a título de contingenciamento das contas públicas. Ele relacionou a redução de verbas para as Forças Armadas com o aumento do tráfico no país.

O deputado disse que não se comemora quando são feitas grandes apreensões de cocaína em compartimentos de navios, que fazem parte de rotas de tráfico internacional. Segundo ele, “metade da cocaína consumida no mundo passa por dentro do Brasil”.

Lima aponta a falta de controle na Amazônia e relaciona com o corte de R$ 3 bilhões no orçamento das Forças Armadas, que, afirma, já motivou mais de 5 mil baixas nos quadros militares, já que o recurso deixa de ser investido em melhorias de remuneração.

Visão de futuro empresarial

O deputado Oscar Gutz (PL) foi à tribuna para parabenizar a empresa Bonin Pneus, de Ibirama, que completa 35 anos de atividades. Ele citou o casal Rodrigo e Márcia Bonin pela “visão de futuro e coragem de continuar investindo na nossa região”.

A recauchutadora, instalada em 1991, no Alto Vale, é referência em sua área de atuação.

Valorização dos trabalhadores

Já o deputado Padre Pedro Baldissera (PT) defendeu a necessidade de o parlamento catarinense “legislar com coragem, visando à transparência dos algorítmicos públicos e a capacitação dos trabalhadores”.

Ele abordou a publicação da encíclica “Magnifica Humanitas” pelo Papa Leão XIV, que, segundo ele, “não é um manifesto puramente ideológico, mas trata sobre a salvaguarda da pessoa humana na época dos algoritmos”.  

O parlamentar trouxe a questão ao destacar a importância do polo tecnológico catarinense, e relacionou a posição da liderança eclesiástica com questões atuais, como o avanço da inteligência artificial em prejuízo da geração de empregos.

Padre Pedro prega a defesa de um marco regulatório que impeça o descarte de trabalhadores e garanta a dignidade das relações humanas. “A automação deve ser sinônimo de inclusão, não de demissões em massas. Essa posição encontra ecos também na comunidade científica e entre lideranças globais”, reforçou o parlamentar. “Defendemos soluções sustentáveis para nossas cidades, nunca para vigilância e concentração de renda em favor de monopólios digitais”.

Balsa em péssimas condições na Serra

O deputado Március Machado (PL) trouxe à tribuna reivindicação de moradores de São José do Cerrito e Cerro Negro, cuja ligação, no meio rural, depende de uma travessia sobre o Rio Caveiras, feito com o apoio da balsa e rebocador São Roque.

Ocorre que o equipamento está em péssimo estado, o que justificou um abaixo-assinado que as comunidades encaminharam ao governo estadual, enquanto o parlamentar apresentou indicação ao Executivo sugerindo a substituição da balsa.

Ao menos 200 famílias dependem da travessia, utilizada no cotidiano por escolares, produtores rurais e para o acesso a propriedades que exploram o turismo rural.

Críticas à Udesc por política de cotas

No espaço destinado às explicações pessoais, o deputado Jessé Lopes (PL) criticou a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) pela possível expansão de cotas em vestibulares.

Para Jessé, “o que a esquerda coloca a mão, vira uma esculhambação”, e disse que a Udesc “promove lacração”.

O parlamentar queixou-se da possível criação de “cotas para negros, quilombolas, indígenas, trans, extrangeiros e presidiários”, afirmando que essas políticas de inclusão “vão criar mais dificuldade de acesso a quem tem mais capacidade”.

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