O banco de Memória Política de Santa Catarina, elaborado pela Escola do Legislativo em parceria com o Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), é considerado como um legado histórico para a sociedade catarinense. A avaliação é do jornalista, doutor em Sociologia e professor da universidade Jacques Mick.
O projeto iniciou em 2016, e se tornou um repositório de material didático para professores e estudantes do ensino médio. Jacques Mick já tinha envolvimento com a Escola como palestrante em alguns eventos. Ele conta que a aproximação com a Escola ensejou a estruturação do projeto Memória Política.
“Decidimos criar um repositório de biografias dos políticos de Santa Catarina, para facilitar o ensino da história do legislativo, mas também da história política do Estado, para facilitar as buscas por profissionais que precisam conhecer as trajetórias dos políticos, sejam eles jornalistas, historiadores, professores ou outros profissionais, e fazer tudo isso em linguagem simples, acessível”, explica.
Experiência que deu certo
“Foi uma excelente experiência porque conseguimos reunir uma pequena equipe da UFSC e uma grande equipe da Escola do Legislativo, e criamos essa plataforma, para ter alimentação constante. De modo que, hoje, de fato, esse site se tornou o principal repositório das biografias de políticos do Estado, e um modelo para outros parlamentos estaduais e municipais de todo o Brasil”.
Formação de cidadãos
O professor Jacques tem admiração pela experiência da Escola da Alesc. “É um exemplo de longevidade, constância e regularidade em lidar com temas importantes para a pedagogia da democracia”, avalia.
“Experiências recentemente no Brasil mostram que a democracia pode ser afetada por variações conjunturais e históricas, e zelar pela democracia implica um trabalho de educação permanente de formação dos cidadãos, de valorização dos institutos democráticos, de explicar como é o processo legislativo e como os diferentes poderes se relacionam uns com os outros. Isso exige dedicação permanente e foco, que a escola do legislativo tem conseguido manter ao longo desse quarto de século”, diz o acadêmico.
Novas vocações para a vida pública
“Os programas da escola para os jovens lidam tanto com desafios permanentes, conjunturais, com aspectos que precisam ser mudados ao longo do tempo. E esses programas têm ajudado a criar novas vocações para o setor público e de agentes políticos”, ele elogia.
“Cito como exemplo o Parlamento Jovem, que ajuda a trazer jovens para a vida política, ao explicar o que é o poder, e ao demonstrar que o exercício do Legislativo na conexão com o Executivo tem um papel fundamental para a democracia. É um vetor que ajuda a estimular vocações, a identificar novas lideranças e a renovar o ciclo de políticos do Estado de Santa Catarina”.
Igualdade de gêneros
Jacques Mick também foca a importância do trabalho em favor da igualdade na política. “A exemplo de muitas atividades profissionais, o exercício da política é bastante marcado por uma reflexão de gênero, é um mundo muito masculino e é difícil de promover a diversificação desse mundo social em pouco tempo. E só as ações de longo prazo são capazes de produzir efeito nesse processo”, diz ele. “Em Santa Catarina, já conseguimos observar a emergência e o fortalecimento de uma série de lideranças femininas, sobretudo no plano estadual, e ainda há o desafio da renovação e da diversidade nos parlamentos municipais”.