Do pequeno produtor à exportação global


10/10/2025 - 17h55min

A família Munaro, de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense; produção de suínos da propriedade está ligada a duas cooperativas da região

A família Munaro, de Nova Itaberaba, no Oeste catarinense; produção de suínos da propriedade está ligada a duas cooperativas da região

A rotina na propriedade da família Munaro, em Nova Itaberaba, começa todos os dias, inclusive fins de semana e feriados, antes do sol nascer. O casal Claudete e Giovani cuida de 2,6 mil suínos, distribuídos em quatro pocilgas. Daqui a algumas semanas, os animais serão abatidos e a carne deles será exportada para o mundo todo.

O casal está entre os 600 produtores ligados à Alfa, cooperativa de Chapecó, filiada à AuroraCoop, a terceira maior produtora de proteína animal do Brasil. Enquanto a Alfa é responsável pela assistência técnica, a AuroraCoop fornece a ração e os insumos, além de comprar os suínos para o abate.

Propriedade conta com quatro pocilgas, com 2,6 mil suínos ao todo; toda a produção é destinada à AuroraCoopApesar de estar há 20 anos na criação de suínos, algo que veio do pai, Giovani está há 15 anos associado à Alfa e há 10 trabalha como integrado, ou seja, tem toda a sua produção destinada para a AuroraCoop.

“É diferente. Contamos com mais suporte, mais apoio para a produção”, comenta Giovani. “A gente sente a diferença ao trabalhar junto com a cooperativa, se sente valorizado. Traz mais segurança. Tem assistência técnica de qualidade, insumos de qualidade.”

A esposa concorda. Além da capacitação que é oferecida pela Alfa, a integração junto à AuroraCoop melhorou a qualidade de vida da família, que está construindo uma casa maior, de alvenaria, ao lado da atual, de madeira.

“Nossa propriedade, eu falo com orgulho, evoluiu muito na questão financeira. A cooperativa ajuda a gente a trabalhar com planejamento, com foco. Somou muito para a nossa vida, pois vimos que era vantajoso entrar na cooperativa”, diz Claudete.

Importância
O ramo da agropecuária é o maior dentro do cooperativismo catarinense, tanto na geração de empregos, como nas receitas. É, também, o que responde por praticamente todas as exportações das cooperativas do estado, conforme a Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc).

Centro de Logístico da AuroraCoop em Chapecó; empresa exporta para mais de 80 paísesParte das vendas para o exterior sai da AuroraCoop, que, em 2024, exportou 36,6% de sua produção para mais de 80 países. Só em suínos, ela abate mais de 8 milhões de cabeças por ano, parte deles vindos da propriedade da família Munaro. 

O vice-presidente da Agronegócios da AuroraCoop, Marcos Antônio Zordan, acredita que o cooperativismo é o responsável por manter a sustentabilidade e aumentar a rentabilidade do modelo agropecuário catarinense, caracterizado por pequenas propriedades familiares.

"O pequeno, se não tiver a cooperativa, não sobrevive", acredita Zordan. "A média de tamanho das propriedades é de 15 hectares. Graças ao trabalho desenvolvido pelas cooperativas, e a essa união entre os produtores, essas propriedades conseguem ter rentabilidade, conseguem exportar, algo que, sozinhos, seria impossível."

O vice-presidente da Agronegócios da AuroraCoop, Marcos Antônio ZordanZordan destaca as vantagens para o produtor ao estar vinculado a uma cooperativa. Além da assistência técnica e dos insumos, o suinocultor tem garantido um pagamento pelo valor, mesmo que o preço do mercado esteja abaixo do acordado.

"O produtor pode não ter grandes lucros, mas nunca vai ter prejuízo", explica. "Entre 2022 e 2023, chegamos a ter prejuízo de 150 reais por suíno, mas a Aurora nunca diminuiu o pagamento do produtor. Por ser uma cooperativa, ela bancou [o pagamento]. Se fosse outra empresa, haveria ajuste no preço. Mas nosso objetivo é sempre o produtor, ele é o dono disso. É por ele que trabalhamos."

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