Cooperativas vão além dos grãos e diversificam atividades


10/10/2025 - 18h11min

Caminhão despeja grãos que serão utilizados para a produção de ração; cooperativas buscam diversificar suas atividades e atender ao máximo as necessidades dos cooperados

Caminhão despeja grãos que serão utilizados para a produção de ração; cooperativas buscam diversificar suas atividades e atender ao máximo as necessidades dos cooperados

No ramo agropecuário, a atuação das cooperativas vai muito além da produção de proteína animal e grãos. Estado afora, é comum que elas ofereçam a seus associados supermercados, postos de combustíveis, lojas de eletrodomésticos, entre outros. O objetivo é fazer com que o cooperado consuma o máximo que puder dentro da própria cooperativa, potencializando as receitas e, por consequência, as sobras.

A Cooperativa Regional Itaipu (Cooperitaipu), de Pinhalzinho, por exemplo, mantém nove supermercados, 13 autopostos, 14 lojas agropecuárias, duas fábricas de ração, dois moinhos de trigo – com uma marca própria de farinha – e, mais recentemente, uma loja de eletrodomésticos, além de unidades no Paraná. Ela trabalha com cerais – milho e trigo são moídos, enquanto a soja é destinada à exportação. Suínos, leites e aves vão para processamento na AuroraCoop, à qual é filiada.

O presidente da Cooperitaipu, Arno PandolfoPresidente da Cooperitaipu, Arno Pandolfo está há 53 anos na cooperativa e presenciou a expansão dela. Segundo ele, nos últimos dez anos, ela cresceu quase 500%. Entre 2010 e 2025, a movimentação financeira anual passou de R$ 150 milhões para quase R$ 2 bilhões.

"E o cooperado cresce junto, o que é mais importante", afirma Pandolfo. "Temos a distribuição das sobras, a capacitação, o trabalho feito junto com as famílias, com os filhos, para que eles assumam as propriedades."

O resultado desse crescimento também impacta na economia do município de 25 mil habitantes, situado no Extremo Oeste. Com 3.250 cooperados, a Cooperitaipu gera 750 empregos diretos e é responsável por cerca de 20% dos impostos arrecadados em Pinhalzinho.

Entre os cooperados, está Ivan Schlösser, agricultor em Modelo, associado desde 2014. Em quase 100 hectares – 43 próprios e outros 53 arrendados – , ele planta principalmente milho e trigo, que são destinados para a Cooperitaipu.

Verneldo e Ivan, paí e filho, na propriedade da família, em Modelo "Estar na cooperativa é um meio de termos um negócio certo, sem muitas incertezas. E ela está sempre próxima do agricultor, prestando assistência, oferecendo cursos, acesso a tecnologia, o que aumenta a nossa produtividade", explica Schlösser.

A vocação para o campo vem do pai, Verneldo, também agricultor. O avô, o bisavô e o tataravô também estiveram ligados à atividade. "Isso vem de família. E eu gosto da lavoura, das plantas. É algo especial para mim. É o meu escritório a céu aberto."

Feixe de gravetos
Em outro extremo de Santa Catarina, no Sul, a trajetória da Cooperja se confunde com a história de Jacinto Machado. O município tinha pouco mais de 10 anos de idade quando a cooperativa foi fundada, em 1969, por 117 agricultores estimulados por uma história contada por um agrônomo da Acaresc, atual Epagri.

"Ele ia até os agricultores e usava gravetos para convencê-los a participar da cooperativa", conta o presidente da Cooperja, Vanir Zanatta. "Ele pegava um graveto e mostrava que, sozinho, era fácil de quebrar. Mas se estivessem unidos, em um feixe, não conseguia quebrar."

Unidade Industrial da Cooperja, em Jacinto Machado; cooperativa trabalha com marcas próprias de grãos, entre eles o arroz, comercializadas em todo o país55 anos depois, a Cooperja conta com 2,1 mil associados em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e gera mais de 900 empregos diretos. Conta com indústrias, lojas agropecuárias, posto de combustível, indústria de ração, supermercados, unidade de beneficiamento de sementes, transportadora, fábrica de rações.

Atua principalmente na produção de grãos e frutas, com marcas próprias, comercializadas em todo o país. O arroz é o destaque, responsável por 60% do faturamento.

"Tudo que o agricultor precisa para trabalhar está na cooperativa. Temos as sementes, supermercado, cooperativa de crédito", afirma Zanatta. "Diversificamos as atividades, para não ficarmos dependentes de uma só."

O agricultor Reginaldo Zanatta, associado da Cooperja, espera colher 16 mil sacas de arroz na próxima safraO agricultor Reginaldo Zanatta é associado da Cooperja há 25 anos. Agora em setembro, ele inicia o plantio de arroz em 85 hectares, com sementes fornecidas pela cooperativa. A expectativa é colher 16 mil sacas, em março do ano que vem. Toda a produção vai para a Cooperja.

"Traz mais segurança estar cooperado. Não sei como faria para plantar se não fosse a cooperativa, que ajuda a gente a continuar no campo", diz Reginaldo. "A gente passa uns perrengues, o que não é fácil. Imagine se a gente estivesse sozinho."

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