Blumenau tem a maior cooperativa de consumo do Sul do país


16/10/2025 - 20h38min

Fundada em 1944, a Cooper mantém 23 supermercados em nove cidades; além das sobras, associados contam com preços diferenciados

Fundada em 1944, a Cooper mantém 23 supermercados em nove cidades; além das sobras, associados contam com preços diferenciados

Blumenau leva o cooperativismo a sério. Tanto que, em abril do ano passado, ele foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do município, por meio de lei aprovada pela Câmara dos Vereadores e sancionada pelo Executivo local.

De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Empreendedorismo, a cidade tem mais de 70 cooperativas cadastradas, o que dá a Blumenau um dos maiores índices de habitantes associados a cooperativas: quase 80% da população.

O município também é berço da segunda maior cooperativa de consumo do país, a maior da Região Sul do Brasil: a Cooper. Fundada em 1944, ela conta atualmente com 23 supermercados e 21 farmácias em nove cidades do Vale do Itajaí e Norte do estado, num total de 400 mil cooperados e 3,6 mil colaboradores diretos.  

O presidente executivo da Cooper, Osnildo MaçaneiroO presidente executivo da Cooper, Osnildo Maçaneiro, conta que a cooperativa foi criada inicialmente para atender os colaboradores da Hering. "Na época, havia uma escassez grande de alimentos, e os preços eram muito caros. Para suprir isso, foi constituída a cooperativa."

Nos anos 1990, a Cooper se abriu para o público em geral, o que proporcionou uma expansão expressiva nos anos seguintes. Abriu lojas em outras cidades, construiu unidades nos mesmos moldes dos principais players do varejo supermercadista e tornou-se a rede com maior presença em Blumenau, onde mantém atualmente oito filiais, além da administração e centro de distribuição.

"O cooperativismo tem como essência as pessoas", afirma Maçaneiro. "Nós temos dever e a obrigação de entregar bons preços, mas a vida não é só isso. Tem que ter gentileza, relacionamento. E esse é um dos pontos fortes da nossa cooperativa, esse relacionamento com o nosso cooperado, que é nosso consumidor e dono, ao mesmo tempo."

Na Cooper, as sobras retornam para os associados na forma de um cashback, que é utilizado para consumo nas lojas da cooperativa. Mas os benefícios vão além disso, já que os cooperados têm acesso a preços diferenciados e datas promocionais. Capacitação por meio de oficinas e palestras também estão disponíveis de forma presencial e on-line.

A rede também pratica a intercooperação, ou seja, colabora com cooperativas de outros ramos, fortalecendo toda a cadeia cooperativista. Nas lojas anexas aos supermercados, é possível encontrar postos de atendimento de cooperativa de crédito. Nas gôndolas, produtos de cooperativas do ramo agropecuário têm destaque.

"A Cooper se tornou referência para qualquer supermercado", garante o presidente, que está há 40 anos na cooperativa, onde começou como empacotador, aos 15 anos. "Somos muito copiados, pela política de preços, pela governança avançada, pela estruturação dos nossos conselhos, o núcleo feminino que mantemos, sem contar nos projetos sociais."

Clientes e donos
Há mais de quatro décadas, o casal Correia é associado à Cooper. Francisco e Maria Aparecida não só aproveitam os preços diferenciados para os cooperados, como os cursos oferecidos pela cooperativa, principalmente os voltados à gastronomia.

O casal Correia, associado à Coopera há mais de 40 anos"Quando a gente casou, eu não sabia nem fritar um ovo. Hoje, o jantar de fim de ano só eu que faço, graças ao que aprendi nos cursos", afirma Francisco.

"A gente está há tanto tempo pelas vantagens que ela nos apresenta", justifica Maria Aparecida. "Aqui a gente tem vez e voz. Atuamos no administração. Num supermercado, a gente é mais um. Aqui, temos vez e voz."

O casal também se orgulha dos projetos desenvolvidos pela cooperativa junto à comunidade, como a valorização dos produtores rurais locais, o troco solidário que beneficia entidades assistenciais, e a campanha para destinação correta do óleo de cozinha usado.

"A gente participa. A gente sabe é dono, podemos falar que é a nossa Cooper", diz Francisco.

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