As colônias pioneiras em Santa Catarina


27/06/2025 - 17h07min

O Museu Casa de Brusque, que preserva a história de imigrantes trentinos e italianos  que se instalaram na região a partir de 1875

O Museu Casa de Brusque, que preserva a história de imigrantes trentinos e italianos que se instalaram na região a partir de 1875

Historiadores e pesquisadores sobre a imigração atualmente reconhecem que o primeiro núcleo de italianos no Brasil ocorreu na cidade catarinense de São João Batista, no Vale do Rio Tijucas. Conhecida como Nova Itália, a colônia se formou ainda no ano de 1836, portanto, 38 anos antes da fundação de Santa Teresa (ES), de 1874, que é considerada oficialmente a primeira colônia italiana em solo brasileiro. A explicação que prevalece é que Nova Itália foi formada 132 por imigrantes da Sardenha, que naquela época era um reino independente da Itália, que só viria a se unificar no ano de 1861.

Em Santa Catarina, a emigração italiana está referenciada no dia 4 de junho de 1875, quando 108 colonos se estabeleceram na Colônia Itajahy-Príncipe Dom Pedro, posteriormente chamada de Brusque. Devido à grande dimensão que alcançou nos anos posteriores, a data também marca o evento conhecido como “grande imigração”, ou seja, o principal fluxo de imigrantes de língua italiana para o Brasil, explica a pesquisadora Rosemari Glatz, que é autora de diversos livros que abordam a história e a cultura da região.

A pesquisadora Rosemari Glatz, autora de diversos livros sobre a cultura e a história de Brusque“Brusque era uma colônia pública fundada em 1860 por imigrantes alemães e a partir de 1875 vieram milhares de imigrantes trentinos e italianos, que inicialmente se fixaram na sede da colônia e depois foram distribuídos também por regiões que deram origem a Gaspar, Guabiruba, Botuverá, Vidal Ramos e Nova Trento. Em um prazo muito curto de tempo, de aproximadamente três anos, a colônia passou de menos de 3 mil para mais de 11 mil habitantes. Foi um verdadeiro boom.”

Conforme Rosemari, ainda que o contrato priorizasse pessoas em idade de trabalho, os imigrantes, essencialmente de origem camponesa, chegaram com suas famílias, incluindo bebês e pessoas idosas. 

“Eles vieram com pouca coisa, vieram em busca de uma situação de vida melhor, porque lá [nas regiões italianas] não estava bom. Os anais da história dizem, inclusive, que estava muito difícil, tanto que nós não recebemos aqui, naquele primeiro momento, intelectuais e líderes. Pouquíssimos padres vieram e professores praticamente não vieram. De fato, de forma geral, eles eram camponeses que sabiam lidar com a terra.”

Ainda em território italiano, o embarque acontecia no porto de Gênova, para uma viagem que duraria em torno de três meses até o Rio de Janeiro. De lá, tomavam outro navio para chegar a Santa Catarina, com o desembarque acontecendo no chamado Ancoradouro das Cabeçudas, ao largo da cidade de Itajaí, que ainda não possuía porto.

Os novos colonos então levados em barcos menores até os barracões dos imigrantes, localizados no entroncamento dos rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim. As estruturas tinham a capacidade de abrigar entre 160 e 200 pessoas e serviam com local para descanso e espera enquanto não ocorria o encaminhamento para os lotes de terra nas colônias.

“O colono podia escolher o lote em que seria assentado, havia essa prerrogativa. Mas, uma vez definido, ele tinha que fazer a derrubada da mata e construir a primeira casa, que normalmente era bem simples, da própria madeira tirada do terreno e coberta com palha. O governo ajudava por alguns meses e primeira colheita poderia ser alcançada em 6 a 8 meses.”

Ela explica que pouco tempo esse núcleo colonial alcançou a abundância em termos de alimentação, o que proporcionou o desenvolvimento de novos meios de vida. “A partir dessa força, vemos que nos anos seguintes começam a crescer o comércio e também a indústria, seja como mão de obra, porque eram pessoas muito trabalhadoras, muito religiosas, seja como fundadores. Se formos analisar esta região hoje, veremos que grandes indústrias locais têm como fundadoras imigrantes trentinos e italianos.”

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