O Brasil é considerado atualmente o país que mais possui descendentes de italianos no mundo. Uma estimativa do Museu da Imigração, de São Paulo, aponta até mesmo que de cada 100 brasileiros, 15 teriam raízes na Itália.
E, dentro desse contexto, Santa Catarina despontaria como um dos expoentes em termos de etnia italiana. Afirma-se comumente, que entre 60% e 70% da sua população seja oriundi, como também são conhecidos os descendentes de italianos.
Ainda que não existam pesquisas oficiais neste sentido, a forte presença dos ítalo-descendentes pode ser facilmente percebida na gastronomia, religiosidade e modo de falar de grande parte da população do estado. E todas estas tradições passam por um período de reavivamento no estado, onde é crescente o aumento do número de entidades associativas ligadas à Itália.
Nomeados como associações ou “círculos”, quase toda região de Santa Catarina conta com um ou mais deles para congregar descendentes e simpatizantes da cultura italiana ou mesmo de grupos específicos, como trentinos, vênetos e bergamascos. Somente na área da Amve (Associação dos Municípios do Vale Europeu), são nove.
Além da manutenção de corais, grupos de dança e da promoção de eventos ligados à gastronomia e música, as entidades também oferecem serviços como aulas de italiano e até mesmo o encaminhamento de documentos para pedidos de cidadania do país europeu e confecção de passaporte. Um dos mais bem estruturados da região é o Lira Circolo Italiano di Blumenau, responsável pela organização da Festitália, considerado o maior evento do gênero no estado e que já está na 30ª edição. Neste ano, a entidade também será responsável pela elaboração de uma programação regional alusiva aos 150 anos da imigração italiana para Santa Catarina.
Os participantes, conforme explica a diretora de cultura do Lira, Marilucia Mattedi, realizam todos estes trabalhos voluntariamente, por amor à cultura que herdaram de seus antepassados e pelo sentimento de fraternidade que nutrem entre si.
“Para nós, isso aqui, acima de tudo, é uma família. Nós temos uma relação de amizade muito forte entre as pessoas que participam, que estão aqui sempre presentes. E o mais importante, sim, a gente ama essa descendência, uma coisa que está na gente. Então, claro, em primeiro lugar eu sou brasileira, mas o lado italiano é muito forte, está no sangue da gente. Os nossos pais conseguiram deixar essa marca na gente. Então a gente gosta de estar aqui.”
Já na região Norte do estado, o Circolo Italiano de Jaraguá do Sul, que conta com aproximadamente 1,3 mil participantes, tem como diferencial a agenda de intercâmbio que promove com a Itália, conforme destaca o seu presidente, Luis Fernando Marcolla.
“Temos pessoas aqui da nossa comunidade que organizam turmas de viagens a cada quatro, cinco, ou seis meses, para a Itália. Eles vão a locais específicos, já com uma programação pré-definida e essa interação acaba estimulando cada vez mais a parceria entre o nosso estado e o país europeu. Tivemos também, recentemente, a visita de 19 pessoas que vieram da Itália, passaram uma semana aqui conosco, conhecendo a região e até propondo até algumas parcerias.”
Busca pela cidadania
A magnitude da comunidade italiana em Santa Catarina também pode ser observada pelo número de representações do país europeu no estado. Atualmente há três agências (em Blumenau, Joinville e Criciúma) e um vice-consulado honorário em Florianópolis.
Na unidade de Blumenau, aponta a agente consular honorária Norma Maria Da Rui, são numerosos os pedidos para a confecção passaporte, vistos de entrada e, principalmente, obtenção de cidadania. As solicitações e os documentos recebidos são encaminhados ao consulado-geral em Curitiba, órgão que representa oficialmente o governo da Itália nos estados do Paraná e Santa Catarina.
“Há vezes que recebo nove quilos de documentos para a requisição de cidadania, de processos que envolvem até 16 pessoas de uma mesma família”, conta.
Conforme o deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), que coordena a Frente Parlamentar Santa Catarina – Itália na Assembleia Legislativa, mais de 100 mil catarinenses possuem cidadania italiana. “Esses números refletem os fortes laços de sangue que unem nossos países”, destaca.