Após mais um feminicídio, Paulinha defende a criação de protocolo estadual de proteção às mulheres


19/02/2026 - 10h13min

Deputada Paulinha.

Deputada Paulinha.

A tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina foi tomada pela emoção nesta quarta-feira. Com a voz embargada, a deputada estadual Paulinha (Podemos) falou sobre a morte de Priscila Dolla, de quem era próxima. Priscila tinha 37 anos, era mãe, moradora de Rio Negrinho e foi vítima de feminicídio na noite de terça-feira, após ser morta pelo ex-companheiro.

“Eu encontro até dificuldade para falar, porque esse caso remete a uma dor que eu conheço”, iniciou. Segundo a deputada, Priscila “pediu para não ser morta”. Ela deixou um filho de 17 anos e os pais, seu Antônio e dona Rose, produtores de leite na cidade. “Em nenhuma hipótese essa família foi preparada para a violência sofrida neste dia”, lamentou.

Em sua fala, Paulinha defendeu que Santa Catarina precisa avançar da indignação para a ação concreta. “Está mais do que na hora de transformarmos essa indignação, que é acolhida em cada lar, nas famílias de esquerda e de direita, em ações reais que evitem que essa verdadeira epidemia de violência contra a mulher continue”, afirmou.

A deputada citou dados da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo os quais, a cada dez minutos, uma mulher é assassinada no mundo. No Brasil, são quatro por dia. Mas ponderou: “Eu abro mão das estatísticas para dizer que o feminicídio não começa como homicídio. Ele começa muito antes”.

*Ações concretas do pacto pelo fim da violência contra a mulher*
De acordo com a parlamentar, o ciclo que muitas vezes termina em morte se inicia na violência psicológica, na agressão física ignorada, na medida protetiva que demora e no boletim de ocorrência que não se converte em acompanhamento efetivo. Por isso, ela anunciou que irá propor a construção de um novo protocolo de ação no estado.

“Lei por lei, nós já temos muitas. O que salva vidas é a execução das leis, é a estrutura, é o protocolo claro, é a resposta rápida”, declarou.

Entre as medidas defendidas, Paulinha afirmou que irá propor proteção imediata para mulheres em alto risco, especialmente nos casos em que a concessão de medida protetiva encontra entraves burocráticos. Também defendeu a criação e ampliação de uma rede real de acolhimento, com mais casas-abrigo para mulheres e filhos, além do fortalecimento das equipes investigativas e das

Delegacias da Mulher, que, segundo ela, ainda são insuficientes no estado.
A parlamentar ainda destacou a necessidade de ações efetivas de prevenção, com debate sobre violência nas escolas e nas famílias, e a importância de melhor aproveitamento dos dados do Observatório da Mulher da Alesc para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.

A deputada também criticou a desproporcionalidade das penas aplicadas em casos de feminicídio, defendendo maior rigor na responsabilização dos agressores. “Muitas mudanças competem ao Congresso Nacional. Mas aquilo que puder ser feito com o nosso esforço em Santa Catarina, nós temos que fazer”, disse.

Ao final do pronunciamento, Paulinha deixou uma mensagem direta à família da vítima e à comunidade de Rio Negrinho: “Eu quero deixar o meu abraço sentido ao senhor Antônio, à dona Rose, a todo o povo de Rio Negrinho que não merecia essa dor. Especialmente a essa mulher tão querida e corajosa que implorou pela vida e não foi ouvida. Por vocês, nós vamos trabalhar com mais firmeza para evitar que novos casos como esse se repitam”.

Notícias relacionadas


Ver mais notícias relacionadas

Whatsapp

Informações da Alesc no seu celular

Receber notícias