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Seminário na Alesc debate crise climática e aponta soluções baseadas na natureza para SC


Evento pretende discutir a mobilização social diante da urgência da crise climática e seus impactos no estado. Entre as estratégias defendidas pelos especialistas está o princípio de que “menos é mais”

Valquíria Guimarães
20/03/2026 - 13h33min

Seminário na Alesc debate crise climática e aponta soluções baseadas na natureza para SC

Ana Quinto/Agência Alesc

Santa Catarina tem um histórico marcado por tragédias climáticas, como enchentes, enxurradas e ciclones. Considerado o terceiro estado mais atingido por desastres naturais no Brasil, o território catarinense já enfrentou eventos extremos como as enchentes de 1983 e 1984, a catástrofe de 2008, o Furacão Catarina (2004) e as chuvas intensas de 2023, que provocaram mortes e prejuízos incalculáveis.

Nos últimos quatro anos, o número de ocorrências aumentou quase 700% (até 2025), segundo dados da Agência Brasil, reforçados por diagnósticos de órgãos estaduais e federais.

Promovido pela Apremavi (Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida), em parceria com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Alesc, presidida pelo deputado Marquito (Psol, o evento conta ainda com o apoio do governo do Estado, por meio do Termo de Fomento 2025TR001224, além de diversas entidades socioambientais.

A solenidade de abertura teve a participação do deputado Marquito, da presidente da Apremavi, Miriam Prochnow, da promotora de Justiça Stephani Gaeta Sanches, representante do Ministério Público Estadual, e de Mariane Murakami, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), entre outras autoridades.

O seminário tem como foco discutir a mobilização social diante da urgência da crise climática e seus impactos no estado. Entre as estratégias defendidas pelos especialistas está o princípio de que “menos é mais”, com ênfase em soluções baseadas na natureza, como o combate ao desmatamento e a restauração da Mata Atlântica. Essas ações, segundo os participantes, são fundamentais para garantir a conservação da biodiversidade, a segurança hídrica e a resiliência dos ecossistemas.

Para o deputado Marquito, Santa Catarina está entre os estados mais impactados pelas mudanças climáticas, o que reforça a necessidade de ampliar o debate e a construção de políticas públicas. “As tragédias climáticas estão cada vez mais recorrentes e intensas em nosso estado, com impactos muitas vezes devastadores. Precisamos avançar na construção de políticas ambientais efetivas e resolutivas.”

Durante o evento, o parlamentar também apresenta o relatório A Terra Pede Cuidado, elaborado pela Comissão de Meio Ambiente da Alesc. O documento reúne propostas construídas a partir das Conferências Regionais Preparatórias à COP30, realizadas em 2025 nos municípios de Lages, Joinville, Criciúma, Florianópolis e Chapecó.

Entre os temas recorrentes estão justiça climática, agroecologia, agricultura familiar, transição energética, educação ambiental, financiamento climático, áreas protegidas e racismo ambiental. O relatório também propõe alternativas de desenvolvimento para a região carbonífera, o fortalecimento da energia solar e a ampliação de unidades de conservação.

A presidente da Apremavi, Miriam Prochnow, destacou a gravidade do cenário climático. “A crise climática é uma realidade cada vez mais preocupante e exige medidas urgentes. Santa Catarina apresenta grande diversidade de eventos extremos, e este seminário busca dar visibilidade a essas questões e apontar caminhos.” Segundo ela, a construção de soluções passa pela articulação entre diferentes setores da sociedade.

A programação teve início com a conferência “Panorama geral das mudanças climáticas”, ministrada pela urbanista, advogada e doutora em ciência política Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atual coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima. Em sua fala, ela ressaltou a urgência de ações imediatas. “A crise climática deixou de ser um problema do futuro. Ela já está acontecendo e precisa ser enfrentada agora.”

Na sequência, o professor aposentado da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), João de Deus Medeiros, apresentou um diagnóstico das mudanças climáticas no estado, com foco na conservação da Mata Atlântica e nas políticas ambientais.

Com atividades ao longo de todo o dia, o seminário se propõe a ser um espaço de diálogo, troca de experiências e construção coletiva de estratégias para enfrentar a emergência climática. A programação inclui ainda mesas de debate com representantes do poder público, instituições, academia, setor produtivo e movimentos sociais, além de um momento final de síntese e encaminhamentos.

No período da tarde, a programação será dedicada a duas mesas de debate, reunindo representantes de diferentes setores para discutir contribuições no enfrentamento da crise climática.

14h – Mesa de Debates I
Contribuições dos setores públicos e institucionais
• Ibama – Daniel Caetano Oller
• ICMBio – Andrea Lamberts
• GEFLORA/IMA – Camila Leal
• Assembleia Legislativa – Marcos José de Abreu (Marquito)
• Ministério Público Federal – Analúcia Hartmann
• Polícia Militar Ambiental – a confirmar
Mediação: Danilo Funke (CRBio-9ª Região)

15h – Mesa de Debates II
Contribuições da sociedade civil, setor produtivo, academia e sistema de justiça
• Movimento Indígena – Sandra de Paula Santos
• Movimento de Catadores – a confirmar
• FACISC – a confirmar
• IFSC – Cleonice Beppler
• UFSC – Paulo Horta
• Apremavi – Wigold Schäffer
Mediação: Marline Dassoler Buzatto (FMCJS-SC)

16h – Debate final, encaminhamentos e síntese visual
Facilitação gráfica: Miriam Prochnow e Beto Francine

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