Comunicação

“Não Foi a Roupa”: exposição na Alesc provoca reflexão sobre a responsabilização de vítimas de violência sexual


Mostra aberta na Galeria Ernesto Meyer Filho integra as atividades do Mês da Mulher e busca conscientizar sobre a cultura da violência e a importância do acolhimento às vítimas.

Simone Sartori
11/03/2026 - 16h35min

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Exposição convida à reflexão

A Galeria Ernesto Meyer Filho transformou-se em um espaço de silêncio e reflexão na Alesc. Na tarde de terça-feira (10), foi aberta a exposição “Não Foi a Roupa”, que convida o público a olhar com mais atenção para histórias que, muitas vezes, permanecem invisíveis e para um questionamento que insiste em ferir: a tentativa de responsabilizar vítimas de violência sexual pelo que vestiam.

A exposição é uma ação de reflexão promovida pela Bancada Feminina da Alesc em parceria com a Comissão da Advocacia Feminina da Associação dos Advogados Criminalistas de Santa Catarina (AACRIMESC).

A mostra apresenta peças simples, discretas e infantis, evidenciando uma verdade difícil, mas necessária: a violência sexual não nasce da aparência, mas da escolha de quem agride. O foco, portanto, desloca-se da culpa para o consentimento, da suspeita para o acolhimento. Inspirada em iniciativas internacionais, a exposição integra uma proposta mais ampla de conscientização.

Debate sobre violência contra as mulheres

A deputada Luciane Carminatti (PT) destacou que a exposição evidencia que não foi a roupa, o horário, o local ou a idade.


“Queremos, com essa exposição, debater a causa da violência contra as mulheres, que, para mim, tem uma resposta: o machismo patriarcal estrutural. Esse machismo não muda apenas com a aprovação de uma lei, com uma exposição ou com um seminário, porque só mudamos a cultura construindo outra cultura.”
Luciane Carminatti
Deputada
Luciane Carminatti

A deputada Paulinha (Podemos) afirmou:


“A exposição “não foi a roupa” se soma a outras iniciativas promovidas pela Alesc e por outros órgãos, que decidem trocar as celebrações do 8 de março deste ano por ações de efetiva reflexão sobre a verdadeira epidemia de violência contra a mulher que estamos sofrendo. É impossível não se emocionar ao passar pelos corredores da exposição, e por isso que ela é tão potente. As pessoas precisam enxergar essa realidade, e se ver dentro da dor. A exposição também revela que o preconceito para com a roupa da pessoa violada não tem o menor sentido.Minha homenagem a Elis, a Tami, curadoras da exposição, e a todos que colaboraram com a sua preparação. Que ela seja uma porta para um novo despertar em nosso estado.”
Paulinha
Deputada
Paulinha

Rede de apoio e conscientização

Ao lado das peças expostas, materiais informativos e narrativas reforçam a importância da rede de apoio, da denúncia e da educação como caminhos para enfrentar a cultura do estupro. O objetivo é sensibilizar, mas também provocar mudanças concretas nas atitudes individuais e nas estruturas institucionais.

“Não Foi a Roupa” apresenta-se, assim, como um convite coletivo à empatia e à responsabilidade social. Em cada peça exibida, há um chamado para reconhecer a dignidade das vítimas e reafirmar um princípio essencial: a violência nunca se justifica. A responsabilidade é sempre de quem agride. Mais do que um ato simbólico, a exposição reforça a urgência de construir uma cultura que escute, proteja e previna, em vez de julgar ou silenciar.

A mostra pode ser visitada até o dia 16 de março e integra as atividades alusivas ao Mês da Mulher.

Sarau “Quando a Escrita Floresce, a Mulher se Revela”

Literatura e expressão feminina

Seguindo a programação de atividades voltadas ao Dia Internacional da Mulher, após a abertura da exposição, a Alesc foi palco de um momento dedicado à literatura, à sensibilidade e à força da expressão feminina. O sarau “Quando a Escrita Floresce, a Mulher se Revela” reuniu escritoras, artistas, convidadas e apreciadores da cultura em uma celebração marcada por poesia e reconhecimento.

O evento destacou a escrita como instrumento de voz, identidade e transformação. Durante a noite, diversas autoras compartilharam poemas e reflexões que evidenciaram o universo feminino, suas lutas, sentimentos e conquistas.

Homenagens e reconhecimento

Um dos momentos de destaque foi a entrega de homenagens a personalidades que contribuem para o fortalecimento da cultura e do protagonismo feminino. As deputadas Luciane Carminatti e Paulinha foram homenageadas pelo apoio a iniciativas culturais e pela valorização das mulheres na sociedade.

A deputada Luciane Carminatti destacou que o mês de março representa a diversidade do que são as mulheres.


“Mas, quando olhamos para mulheres escritoras que trazem para dentro da literatura a produção acadêmica e intelectual com o nome e o rosto de mulher, isso é fundamental. Muitas vezes contamos a história sob a ótica masculina e não enxergamos que as mulheres estão em todos os espaços. Não há como falar deste Estado, do crescimento ou das políticas públicas sem o rosto das mulheres. Agora eu pergunto: quem são as mulheres que vivem e fazem o nosso Estado? Nós as conhecemos? Nós lemos sobre elas? Precisamos enaltecer essa produção linda de escritoras, mulheres produzindo narrativas também sob a ótica feminista e feminina, como assim desejarem.”
Luciane Carminatti
Deputada
Luciane Carminatti

Medalha Antonieta de Barros

A programação também incluiu a entrega da Medalha e do Certificado Antonieta de Barros à Marianne Cristina Tillmann, honraria concedida a mulheres que se destacam por suas contribuições à cultura, à educação e ao desenvolvimento social, mantendo viva a memória e o legado de Antonieta de Barros.

Outro ponto relevante foi a entrega de uma Moção de Aplausos à Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil – Santa Catarina (AJEB-SC), em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela entidade na promoção da literatura feminina e no incentivo à produção cultural no estado para as jornalista Juliana Pereira, Sande Moraes e Ivonita Di Concílio.

Espaço de expressão e encontro

A presidente da AJEB-SC, Sande Moraes, ressaltou o significado do encontro como espaço de expressão e valorização das mulheres que escrevem. Segundo ela, o sarau representa um convite para que as mulheres ocupem seus lugares de fala por meio da palavra, revelando histórias, sentimentos e a força feminina capaz de transformar o mundo. “Nós, que somos mulheres jornalistas, sabemos o quanto é difícil a nossa trajetória. Hoje, você, que é jovem, já encontra mais espaço, mas, quando iniciei no jornalismo, era muito difícil, porque era considerado um lugar de homens, e não de mulheres”, comentou.

A noite foi marcada por leituras, apresentações musicais e momentos de integração entre as participantes, reafirmando a literatura como espaço de encontro, resistência e celebração da voz feminina.


Perguntas Frequentes

O que é a exposição “Não Foi a Roupa”?

É uma mostra que busca conscientizar sobre a violência sexual e combater a ideia de responsabilização das vítimas pela forma como se vestem.

Onde a exposição está sendo realizada?

Na Galeria Ernesto Meyer Filho, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Até quando a exposição pode ser visitada?

A mostra está aberta ao público até o dia 16 de março.


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