DESCRIÇÃO DA NOTÍCIA  
     
21/05/2012 - 12h40min
Vasta região do Meio Oeste não tem cobertura das forças de segurança
Um território com cerca de 1.000 km2, escassamente povoado, cortado de norte a sul pela BR-153 e de leste a oeste pela SC-451, quase todo localizado no município de Água Doce, no Meio Oeste, se transformou na rota do tráfico de Foz do Iguaçu para Santa Catarina, roubos a ônibus e assaltos a fazendas. “Num raio de 100 km não tem policiais, nem telefone fixo ou celular”, declarou Ademir Tadeu de Oliveira, delegado regional de Joaçaba, que pediu “prioridade para o envio de policiais civis” ao município.
Os delitos são “notificadas três a quatro horas depois da ocorrência, a Polícia Civil sai em diligência cinco, seis horas depois. Os criminosos vêm do Paraná porque não tem ninguém para impedir”, explicou o delegado, preocupado com a facilidade com que meliantes circulam, atuam e desaparecem. As afirmações do delegado regional foram corroboradas pelo comandante da PM, pelo secretário regional e pela prefeita de Água Doce, durante a audiência da Comissão de Segurança Pública, presidida pelo deputado Gilmar Knaesel (PSDB), que aconteceu na noite desta sexta-feira (18), na Câmara de Vereadores de Joaçaba.
Ficou decidido que a Comissão agendará audiência com o secretário de Segurança, César Grubba, para discutir ações emergenciais. Os gestores da segurança também reivindicaram câmeras de vigilância, fortalecimento dos Consegs e do Proerd, aumento do efetivo da PM, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros, alteração na gestão do 190, instalação da delegacia da mulher na região e construção de DPs em Capinzal e Treze Tílias.
No caso da competência da Polícia Rodoviária Federal, estão previstas a transferência do posto da PRF de Vargem Bonita para Joaçaba e a reativação de outro, próximo das instalações da Cidasc, na BR-153, perto da divisa com o Paraná. Quanto à competência estadual, o deputado Sargento Amauri Soares (PDT), vice-presidente da Comissão, sugeriu o deslocamento de unidades do Bope para a região. “Vamos discutir alternativas com a cúpula da SSP”, argumentou.
Para agravar a logística das ações repressivas, segundo o coronel Turíbio Skonieczny, comandante da 10ª Região, as chamadas ao 190 de Água Doce são atendidas em Joaçaba, que aciona o posto da PM ou a delegacia do município. “O ideal é atender localmente”, afirmou Turíbio, argumentando que o policial que está em Água Doce conhece o município, enquanto o atendente do 190 “muitas vezes não”.
A prefeita de Água Doce, Nelci Bortolini, que preside a Associação dos Municípios do Meio Oeste (Amosc), disse que “a segurança é um grande gargalo na região” e reivindicou ações urgentes na cobertura policial. “Precisamos de mais efetivo e de mais estrutura, pela extensão territorial do município”, justificou. Jair Lorenzetti, secretário regional, defendeu a união de forças para resolver os problemas e informou que “a concessionária na área da BR-153 é a Vivo, que precisa viabilizar a comunicação via telefone.”
O prefeito de Joaçaba, Rafael Laske, também se solidarizou com Água Doce. Ele elogiou o governador Raimundo Colombo pela instalação de 13 câmeras em Joaçaba e informou que no carnaval “não teve ocorrências graves, apenas quatro foram registradas e por causa do barulho. A cidade quase não tem ocorrências policiais”, comemorou.
Rafael parabenizou a iniciativa da Comissão, de se deslocar até onde estão os problemas e dialogar em público com os gestores da segurança. “É melhor recebê-los aqui do que irmos até a Assembleia reivindicar”, declarou. Participaram da audiência policiais militares, civis, vereadores, prefeitos da região e cidadãos de Joaçaba. (Vitor Santos)

     
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